No dia 31 de outubro, Halloween, é o dia mais sombrio do calendário. É aquele dia que os mortos podem caminhar tranquilamente entre os vivos. Espíritos podem possuir as pessoas com mais facilidade. As almas amaldiçoadas conseguem refazer seus atos. Os fantasmas passam a ter uma existência mais "física". Alguns espíritos voltam para se vingar; E a Morte caminha ao seu lado.
Isso tudo acontece por causa do tecido que separa o mundo espiritual do nosso mundo. Nesse único dia do ano, esse tecido fica mais fraco e permite que os mortos caminhem ao lado dos vivos. As pessoas que estão num estado entre a vida e a morte podem fazer com que seus espíritos vaguem por aí.
Esses espíritos vivem no limite da realidade e habitam o algo entre a luz e a escuridão. Habitando entre a sanidade e a loucura, estão as ilusões, causadas nessa época do ano. Muito cuidado. Não acredite em tudo que você ver hoje. Pode não ser real.
When memories fade into emptiness Only time will tell its tale If it all has been in vain
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Apaixonada
Nunca achei que me apaixonaria na vida. Sempre achei essa coisa de amor, coração acelerar, suar frio, tudo bobagem de garota. "Nossa, quando fulano passa na minha frente, eu me derreto" Blergh, que preguiça. Não conseguia me imaginar "derretendo" por ver alguém. Muito menos não conseguir falar na frente da pessoa. "Minhas colegas são todas bestas", eu pensava. Não tinha como eu passar por tudo aquilo. Eu não via nada de especial em ninguém, nenhuma característica diferente que me chamaria a atenção.
Lógico que no fim das contas, acabei me apaixonando. Eu ficava embaraçada na frente dele. Eu não sabia o que dizer. De repente, ele sempre estava nos meus pensamentos. Meu estômago embrulhava só de lembrar da voz dele. E quando ele me dava oi, eu ficava toda mole por dentro. Droga, como pude deixar isso acontecer comigo?
Eu aceitei que estava gostando, mas "vai passar", eu sempre pensava. Mentira, não passou nada. Foi ficando maior. Eu comecei a sonhar com ele. Sonhos que me faziam sorrir. Aí estar com ele era bom, me fazia sorrir mais ainda. Eu me divertia. Era bom estar com ele. Passávamos horas conversando. Sobre o que? Qualquer coisa era assunto. Literalmente qualquer coisa virava assunto, e se prolongava por horas.
Acabei tomando coragem de me declarar para ele. Mas ele tomou a dianteira. Eu fiquei feliz, queria pular, gritar, correr, festejar, tudo ao mesmo tempo. Não era possível que ele gostava de mim. Isso simplesmente não queria entrar na minha cabeça. eu fiquei sorrindo igual uma besta. ele devia ter pensado "será que foi engraçado?".
E aí, vem todos aqueles outros sentimentos juntos. Querer cuidar, querer estar junto. A paixão vira amor. E o amor é duradouro. Todas aquelas coisas que a nós fazíamos juntos ficaram mais divertidas. e todas aquelas coisas chatas que eu tinha que fazer sozinha, sua presença deixaram as coisas menos chatas. Coisas chatas não ficam legais, elas ficam menos chatas.
Você me faz rir quando eu não tenho nenhum motivo. Você cuida de mim, você me ama, e eu amo você. Você faz de tudo para me fazer sorrir. Quando você não pode me ajudar, você me dá forças, você me mostra um novo caminho, um novo jeito de olhar os problemas. Você me escuta, e sempre tenta fazer o seu melhor por nós dois.
Então bate aquela preocupação no meu coração: será que eu te faço feliz como você me faz? Será que eu consigo ser para você tudo que você é para mim?
Eu me esforço para ser a melhor para você. Eu não quero que outra apareça e tome meu lugar. Acho que eu tenho conseguido. Eu espero.
Depois de me apaixonar, depois de descobrir que eu amava você, muitas coisas começaram a surgir junto do amor. O desejo de ser feliz ao seu lado. O desejo de que você seja feliz comigo. Que nós dois possamos admirar a Lua juntos, por muitos e muitos anos, até ficarmos bem velhinhos. De poder sentir o toque de seus dedos nos meus todos os dias. De poder ouvir sua voz todos os dias. De compartilhar os bons momentos, e de te ajudar nos maus. E você me ajudar quando eu precisar.
Você me faz sorrir quando eu ia chorar. E quando eu choro, você fica comigo.
Pois é, acho que mudei muito depois de gostar de você. Eu gosto dessa mudança. Eu quero poder sentir isso por você enquanto eu viver. E quero que você sinta o mesmo enquanto você viver.
Vamos nós dois dar as mãos e observar a Lua cheia.
Lógico que no fim das contas, acabei me apaixonando. Eu ficava embaraçada na frente dele. Eu não sabia o que dizer. De repente, ele sempre estava nos meus pensamentos. Meu estômago embrulhava só de lembrar da voz dele. E quando ele me dava oi, eu ficava toda mole por dentro. Droga, como pude deixar isso acontecer comigo?
Eu aceitei que estava gostando, mas "vai passar", eu sempre pensava. Mentira, não passou nada. Foi ficando maior. Eu comecei a sonhar com ele. Sonhos que me faziam sorrir. Aí estar com ele era bom, me fazia sorrir mais ainda. Eu me divertia. Era bom estar com ele. Passávamos horas conversando. Sobre o que? Qualquer coisa era assunto. Literalmente qualquer coisa virava assunto, e se prolongava por horas.
Acabei tomando coragem de me declarar para ele. Mas ele tomou a dianteira. Eu fiquei feliz, queria pular, gritar, correr, festejar, tudo ao mesmo tempo. Não era possível que ele gostava de mim. Isso simplesmente não queria entrar na minha cabeça. eu fiquei sorrindo igual uma besta. ele devia ter pensado "será que foi engraçado?".
E aí, vem todos aqueles outros sentimentos juntos. Querer cuidar, querer estar junto. A paixão vira amor. E o amor é duradouro. Todas aquelas coisas que a nós fazíamos juntos ficaram mais divertidas. e todas aquelas coisas chatas que eu tinha que fazer sozinha, sua presença deixaram as coisas menos chatas. Coisas chatas não ficam legais, elas ficam menos chatas.
Você me faz rir quando eu não tenho nenhum motivo. Você cuida de mim, você me ama, e eu amo você. Você faz de tudo para me fazer sorrir. Quando você não pode me ajudar, você me dá forças, você me mostra um novo caminho, um novo jeito de olhar os problemas. Você me escuta, e sempre tenta fazer o seu melhor por nós dois.
Então bate aquela preocupação no meu coração: será que eu te faço feliz como você me faz? Será que eu consigo ser para você tudo que você é para mim?
Eu me esforço para ser a melhor para você. Eu não quero que outra apareça e tome meu lugar. Acho que eu tenho conseguido. Eu espero.
Depois de me apaixonar, depois de descobrir que eu amava você, muitas coisas começaram a surgir junto do amor. O desejo de ser feliz ao seu lado. O desejo de que você seja feliz comigo. Que nós dois possamos admirar a Lua juntos, por muitos e muitos anos, até ficarmos bem velhinhos. De poder sentir o toque de seus dedos nos meus todos os dias. De poder ouvir sua voz todos os dias. De compartilhar os bons momentos, e de te ajudar nos maus. E você me ajudar quando eu precisar.
Você me faz sorrir quando eu ia chorar. E quando eu choro, você fica comigo.
Pois é, acho que mudei muito depois de gostar de você. Eu gosto dessa mudança. Eu quero poder sentir isso por você enquanto eu viver. E quero que você sinta o mesmo enquanto você viver.
Vamos nós dois dar as mãos e observar a Lua cheia.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
O resgate
Ana estava voltando de um passeio com suas amigas. Elas tinham
ido ao shopping e Ana ia dar carona para uma amiga que morava perto de sua
casa. Elas tinham ido ao shopping, viram um filme no cinema, lancharam e foram
embora. Não eram nem 10 horas da noite. Ana parou na frente da casa de sua
melhor amiga, uma rua movimentada, lojas e lanchonetes abertas quase vinte e
quatro horas. Sua amiga desceu do carro, abriu o portão e entrou em casa. Ana acenou
com as mãos, conferiu a rua, engatou primeira marcha, ligou a seta, e começou a
movimentar o carro.
Marcos estava jogando mais uma partida de seu jogo favorito
no vídeo game. Ele conferiu as horas no celular e pensou “ainda é cedo. Ela deve
estar saindo do shopping agora. Daqui a pouco eu ligo”.
A porta do carro de Ana se abre e um rapaz entra no carro
dela. Ela já ia gritar quando ele diz “quietinha moça, sem pânico. Ninguém aqui
quer se dar mal, né?”. Ela engoliu o grito e ficou apreensiva. Pensou em todos
os jeitos possíveis de sair dali, mas estava numa rua movimentada, não tinha
como ela pular do carro. Ela certamente seria atropelada. Ela começou a suar
frio.
“vai dirigindo ai dona. Agora pega a rua à direita, agora
vira a esquerda...” o rapaz foi indicando o caminho para ela. ela começou a
rezar em silêncio. Pensou em seus pais, pensou no seu namorado, pensou na sua
amiga, que tinha acabado de sair do carro...
Os pais de Ana ligam para Marcos para saber se ele está com
sua filha. “não, ela saiu com as amigas hoje” ele responde “ah, nós sabemos
disso, mas pensamos que ela passou na sua casa antes de vir para cá. O filme
deve ter acabado mais tarde” respondeu a mãe de Ana.
Ana já não fazia mais ideia de onde ela estava. Virou tantas
ruas e entrou em tantos lugares estranhos que não sabia nem se estava na sua
cidade. Ela olhou o painel do carro, mas não parecia ter dirigido tantos quilômetros
a ponto de sair da cidade. Ela suava. O rapaz já tinha revirado o carro dela
procurando por algo que interessasse ele. Mas só tinha o manual do carro. Ele revirou
a bolsa dela, mas não encontrou nada de valor também.
“cadê o celular moça? Tu tem celular, todo mundo tem celular”
ele perguntou revoltado. “Descarregou a bateria. Deixei carregando” respondeu
ela.
Ele mandou ela virar em outra rua e seguir reto.
Carlos já começava a ficar inquieto. Nem o jogo estava mais
divertido. Ele ligou para a amiga de Ana e ela afirma ter chegado em casa há
mais de uma hora. Pronto. Agora sim há um motivo para desesperar.
Ele liga para o numero de Ana. O celular toca, toca, toca e
ela não atende. “merda” pensou ele. “o que será que aconteceu?”
Ana quase deu um pulo quando sentiu o celular vibrando. Ela tinha
colocado ele dentro do sutiã, pois era mais rápido de pegar caso ele tocasse.
“Pára aqui moça” o rapaz disse. Ela parou o carro numa rua
deserta, com apenas um poste piscando fracamente. O rapaz jogou ela para fora
do carro, jogou a bolsa para ela, subiu no banco do motorista e levou o carro
embora. Agora Ana estava em um lugar completamente desconhecido e deserto.
O telefone de Carlos tocou. Antes mesmo de perceber, ele já
estava atendendo.
“Alô? Ana? Onde você está? Você está bem?”
Ana chorava, chorava chorava. Ela não conseguia dizer nada.
Carlos tentou acalmá-la. “Ana meu bem, calma, você está bem? Foi assaltada? O que
aconteceu?”
Ana procurava algo desesperadamente. Uma loja, uma
lanchonete, qualquer coisa que fosse reconhecível. Depois de andar por meia
hora, conversando com Carlos, ela finalmente achou um MacDonalds. “Amor, eu
estou na frente de um MacDonalds, mas ele está fechado.”
“Eu vou te achar Ana.
Não se preocupe” respondeu ele.
Carlos rodou a cidade. Foi em todos os MacDonalds que
conhecia, mas nenhum deles tinha sua namorada sentada na porta. Ele conferiu
pelo seu celular os MacDonalds existentes na cidade. Ele foi em todos eles. Ele
dirigiu rápido pensando em sua namorada chorando, sozinha, num lugar estranho. Até
que finalmente ele a encontrou.
Ana, ao ver o carro que ela conhecia bem, o carro que Carlos
usava com frequência, saiu correndo. Ele abriu a porta e ela se jogou nos
braços dele, chorando. Ele a abraçou com força, e as lágrimas de tristeza de
Ana foram se transformando em lágrimas de alegria ao ser envolvida no abraço
quente do seu namorado.
“obrigada. Obrigada por me salvar. Obrigada. Me tira daqui,
por favor.”
Carlos colocou-a gentilmente no banco ao seu lado, e dirigiu
todo o caminho enquanto Ana soluçava e dizia cada vez mais baixo “obrigada. Obrigada
Carlos, obrigada” até finalmente cair no sono.
domingo, 31 de agosto de 2014
A escolha
Talvez se naquele dia eu não tivesse falado com você, nós
não teríamos nos tornados amigos. Eu não teria me preocupado com as
dificuldades que você teve, eu não teria me envolvido com você no futuro. Eu não
teria te ajudado quando você teve problemas com a escola, eu não teria começado
a gostar de você. Eu não iria querer passar mais tempo com você.
Nós não teríamos nos envolvido. Você poderia ainda estar
feliz, ao lado dos seus pais, cuidando dos negócios da família. Eu não teria me
apaixonado por você, você não teria se apaixonado por mim. Nós não teríamos decidido
morar juntos depois que eu arrumasse um emprego. Você ainda estaria feliz e
saudável, saindo com os amigos.
Mas, agora lembrando bem, você não tinha amigos. Você fez
amizade com as pessoas por minha causa. Você tinha repetido o ano, não era?
Você não ia precisar gastar seus dias preciosos ao lado de
um idiota como eu. Uma pessoa que não ligava para nada na vida. Você não ia
ficar grávida e não ia adoecer no fim da gravidez. Eu não teria sofrido com sua
morte se eu nunca tivesse falado com você naquele primeiro dia de aula.
Eu não teria visto você adoecer. Eu não teria visto sua vida
se esvaindo aos poucos. Talvez você ainda estivesse viva. Você não teria
morrido nos meus braços.
E depois, eu não teria visto nossa filha sofrendo da mesma
doença misteriosa que você tinha. Eu não iria ver nossa filha morrendo naquele
dia gelado, me abraçando. Naquele dia, que só nos dois estávamos na rua, indo
passear. Eu não teria ficado coberto de neve, tentando aquecê-la, mas vi ela
indo para junto de você do mesmo jeito.
Eu não teria me lembrado do dia de sua morte. Eu não teria
te feito sofrer, eu não teria sofrido. Nenhum de nós teria sofrido tanto.
Se eu não tivesse falado com você naquele primeiro dia de
aula, nada disso teria acontecido.
No entanto, se nós não tivéssemos nos conhecido, nós não teríamos
sido felizes. Eu não teria construído minha felicidade ao lado da sua. Não, não
teria sido melhor se nós não tivéssemos nos falado naquele primeiro dia de
aula.
Se nossas vontades, se nosso amor puder atravessar o tempo,
eu quero estar ao seu lado para sempre, em um mundo onde depois que nossa filha
nasceu, você sorriu para mim. Um mundo onde nós dois nos abraçamos depois do
nascimento da nossa filha. Um mundo onde nossa filha cresceu forte e saudável. E nós criamos ela juntos, com nosso amor.
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Eu posso ver você. Eu posso ver seu sorriso. Nossa filha
está bem, ela é saudável. E você está comigo nesse mundo. Nós estamos juntos.
Estou muito feliz de estar ao seu lado. Estou muito feliz de
ter te conhecido.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Uma dose de morfina
O rapaz olhava apreensivo para sua esposa, deitada na cama,
dormindo. Sono natural? Não, era um sono levado pelos remédios, morfina, e
todos outros remédios que amenizavam a dor dela.
PI. PI. PI. PI. PI. PI. PI. PI.
A máquina indicava os batimentos cardíacos, agora normais. À
noite, com a dor, os batimentos oscilaram o tempo todo. Mas finalmente o som
era menos torturante. Ele apertava levemente a mão dela, para caso ela
acordasse, ela sentisse que ele estava ali, ao lado dela.
- Engraçado, não é Carol? Desde que nos conhecemos você
sempre fez questão de pegar nas minhas mãos primeiro. Desde nossa lua de mel
você gosta de acordar de mãos dadas comigo – ele sorriu de leve, falando
baixinho, apenas para ele mesmo ouvir – apesar de você não saber o porque.
Ela se mexeu na cama e abriu os olhos. Ela sorriu ao ver o
rosto de Marcos. Ele estivera ao lado dela em todos os momentos difíceis, e
agora não seria diferente. Quando ela viu seu cachorrinho morrer, foi ele que a
ajudou, quando sua mãe ficou doente foi ele que sempre levava-a no hospital, e
quando ela recebeu o resultados dos exames era ele que estava do seu lado....
-Querido – ela levou uma das mãos ao rosto dele – como você
está bonito – ela disse sorrindo.
- Você continua linda como sempre, Carol.
Apenas um mês antes, a vida dos dois virou às avessas.
Casados a pouco mais de um ano, Carol e Marcos estavam aproveitando a vida de
recém-casados. As dores de Carol começaram a aparecer aos poucos, até se
tornarem insuportáveis. Eles foram ao médico, que fez uma porção de exames, e o
resultado foi inconclusivo. Por indicação, Carol foi em outro médico. Este
encontrou uma massa em seu rim, que estava se espalhando rapidamente pelos
outro órgãos. Carol não teria mais tanto tempo de vida. A menos que os remédios
diminuíssem a ação da massa em seu rim.
Carol fez uma careta. Marcos chamou as enfermeiras, mas elas
não podiam aumentar a dose de morfina sem a prescrição médica. Carol mudou de
posição e a dor melhorou. Ela estendeu a mão e pegou os dedos de Marcos, entrelaçando-os
nos seus.
- Ah Marcos, nunca poderei ir com você na Alemanha.... –
disse ela, um sorriso triste nos lábios.
- Não amor, nós vamos sim. O doutor disse que os remédios
iriam te curar. – Ele disse.
- Não vou poder ir também com você na Europa, e visitar
todos os países como planejamos enquanto éramos namorados... – Ela disse, o
sorrindo desaparecendo de seus olhos.
- Amor, não diga isso.
- Eu queria tanto realizar meus sonhos ao seu lado. Conhecer
Paris, andar e andar pelas ruas da China, navegar pelo Caribe... – nesse
momento, ela não mais sorria. Uma lágrima se formava no canto de seu olho.
- Me escute Carol – disse ele, apertando as mãos dela – nós
vamos realizar nossos sonhos juntos. Você vai ver. Vamos nós dois juntos viajar
por 6 meses. Dirigir sem rumo uma vez na vida, você vai ver.
Carol começou a derramas as lágrimas que estavam lutando
para sair de seus olhos.
- Marcos – disse ela aos soluços – eu queria tanto
envelhecer ao seu lado, queria ver seus olhos assim que acordar todos os dias
de minha vida, queria abraçar você quando tivesse um pesadelo...
Ambos choravam.
-Nós vamos estar juntos sempre, Carol.
Marcos beijou Carol na testa e logo em seguida, nos lábios.
-Eu amo você, meu amor – disse ela, a voz vacilante e rouca.
-Eu te amo, minha Carol – disse ele com um sorriso.
Ela sorriu e fechou os olhos. A máquina parou de apitar com
intervalos regulares e agora o único som que se ouvia naquele quarto era apenas
um PI contínuo e Marcos chorando.
sábado, 9 de agosto de 2014
Amor verdadeiro
Eu tinha 15 anos quando descobri o significado do verdadeiro
amor.
O ano anterior tinha sido um pesadelo na vida da minha mãe e
minha. Desde os meus 7 anos vivíamos sozinhas. Meu pai? Uma vez eu acordei de
madrugada e voltando do banheiro, vi meu pai saindo com uma mala. Tinha ido
visitar uma amiga, foi o que me disseram. Aquele foi um ano difícil. 7 anos
depois, eu e minha mãe vivemos um pesadelo maior. Depois de várias internações,
os médicos finalmente me contaram que minha mãe tinha um tumor.
Minha mãe e eu sempre fomos muito amigas. Eu reclamei com os
médicos que tentaram me esconder a verdade por tanto tempo.
Quando finalmente passou-se um ano depois do inicio do nosso
pesadelo, ela começou as sessões de quimioterapia, e eu a acompanhava em todas
as sessões. Um dia, quando minha mãe cochilava, fui pegar um leite quente na
lanchonete e um senhor me cumprimentou. Eu o conhecia de vista, ele sempre acompanhava
a esposa no tratamento.
- Sua mãe está melhorando?
- Aos poucos sim. E sua esposa?
- Ela está estável. Você sempre vem, seu pai trabalha nesse
horário?
- Meu pai não mora conosco.
-Desculpe-me, não pretendia... – ele ficou sem graça.
- Não tem problema – respondi sorrindo.
- Você não parece fazer muita coisa fora daqui. Você não sai
às vezes? Nunca a vejo conversando com sua mãe sobre outras coisa a não ser
escola e os livros que você lê.
-Minha mãe precisa de mim – eu respondi.
Uma lágrima formou no canto dos olhos do senhor. Ela
escorreu silenciosa pelo rosto dele e foi parar no queixo.
-Gostaria que meus filhos amassem minha esposa como você ama
sua mãe.
-Eles não visitam vocês?
-Ah, não. Ela passou por uma série de cirurgias, e nós fomos
avisados do que poderia acontecer. Eles não aguentaram por tanto tempo.
-O que aconteceu?
-Ela perdeu parte da memória. Ela passa a maior parte do
tempo não reconhecendo as pessoas ao redor. As vezes ela se lembra de algo, mas
não por muito tempo.
Eu encarei meu copo de leite pela metade e fiquei pensando
na tristeza daquele senhor. Imagina ter filhos, mas eles não visitam pois a mãe
está doente...
-Que... Que tristeza...
-Vale a pena vir aqui. Ela se lembra mais de mim. Isso me
trás felicidade.
Ele sorriu, pagou o café e meu leite, eu o agradeci e
voltamos para a sala de aplicação.
Minha mãe estava acordada, e eu corri em sua direção.
Observei em silencio o senhor encontrando com a esposa.
-Querido? Eu... eu lembro de voce! Você cuida de mim todos
os dias...
-Oi minha deusa. Está lembrando de algo?
-Estou... – lágrimas começaram a sair dos olhos dela – tenho
te feito sofrer...
-Eu não estou sofrendo, amor.
-Eu... eu amo você.
Ela fechou os olhos e o abraçou. Ele virou o rosto na minha
direção, fechou os olhos e sorriu.
-O que você está olhando, minha filha?
-O amor, mamãe.
Eu a abracei com força.
sábado, 2 de agosto de 2014
Uma manhã no apto (III)
Vejo-a deitada na cama. Chego perto e percebo que ela está respirando. Vejo uma sombra em pé na parede. Como ela não acorda, sinto um terrível pressentimento.
Só me resta fazer uma coisa...
Ela desperta, parecendo uma flor abrindo numa linda manhã de sol.
Só me resta fazer uma coisa...
Ela desperta, parecendo uma flor abrindo numa linda manhã de sol.
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