sábado, 18 de setembro de 2021

Ray - Sábado

- ... e agora a Emma esta dormindo no outro quarto.

Olhei para Phill, esperando sua reação. Ele começou a rir.

- Pára Ray! Você não é de brincadeiras. O Rich aparecer na festa eu acredito, mas a Emma estar aqui? Desculpa cara, mas vai ter que se esforçar mais para eu acreditar nessa.

Permaneci sério, olhando para Phill. Em um segundo seu sorriso se desfez. 

- Acho que você está falando sério sobre a Emma - ele disse passando uma mão na testa - mas cara, como isso foi acontecer?

Levantei do sofá e comecei a andar pela sala, tomando cuidado para não falar muito alto e acordar a Emma.

- Já falei Phill. Aconteceu. Não estava nos planos trazê-la para cá para transar - eu não sabia mais o que dizer. 

Phill se levantou do sofá, apertou meus ombros e perguntou:

- Quer beber alguma coisa? Cerveja?

-Não, obrigado. Acho que vou tomar um banho e tentar dormir. 

Phill continuou na sala. Ele claramente estava ainda animado, o que era bem estranho devido à hora e eu estava cansado demais para tentar entender seu entusiasmo. Amanhã eu levaria Emma para casa e passaria o resto do dia com Phill. Aí sim a gente poderia conversar direito e eu entenderia porque ele estava tão animado e feliz. 

Passei na frente do quarto de Emma, prendi a respiração e andei devagar, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho. Não queria acordá-la e também temia um pouco que ela resolvesse tentar uma segunda transa naquela noite. Claro, eu não me importaria, desde que estivesse tudo bem para ela, mas não com Phill na sala. Ela estava dormindo. Respirei aliviado e fui para o banheiro. 

Enquanto deixava a água quente caindo na cabeça, percebi, meio que da primeira vez, de onde vinha o cheiro cítrico que senti em Emma depois que ela tomou o banho. O cheiro do meu shampoo não era assim tão forte, então por que será que o cheiro ficou tão marcante nela? Conforme a água ia levando o estresse embora, me lembrei de nosso momento no quarto. Seu cheiro, sua pele macia, seus toques, sua... intensidade. O tanto que liberdade a descreveria bem, ser intensa era algo que fazia parte dela também. Ri da ironia que eu me encontrava enquanto finalizava meu banho e coloquei meu pijama. Tudo que eu queria naquele momento era afundar a cabeça no meu travesseiro e dormir. Então lembrei de Phill no sofá.

Phill aparentemente já tinha se arrumado no sofá. Ele era praticamente de casa, então sabia onde pegar as coisas que precisava. Fui até ele. 

- Ei Phill, quer jogar video-game ou alguma coisa assim? Comer algo?

- Precisa não Ray. Você tá com uma cara bem acabada aí. Acho que o estresse de ter encontrado o Rich e não ter dado um soco nele foi maior que ter a Emma aqui na sua casa, não é?

Sentei novamente perto de Phill. Apesar do sono, era bom ter o amigo que me entendia e não me julgava. Qualquer outra pessoa iria embora para me deixar a sós com a Emma, dizer para aproveitar o momento e tudo mais, ou então me zoar por eu ter ficado conturbado de tê-la trazido para cá, mas não Phill. E sim, ele estava certo. Em parte, o encontro com Rich me desestabilizou muito mais do que ter Emma em casa. Mas não me afetou tanto quanto ver Emma sendo levada por aquele idiota do Lucas. Minhas mãos começaram a suar com a lembrança.

- Preocupa não Ray - disse Phil apertando meus ombros de leve - se a gente ver aqueles babacas de novo, a gente se arrebenta com eles. Podemos os dois ir para o hospital, mas pelo menos levamos eles também. 

Phill conseguia me fazer rir dessas coisas. Imaginar a gente tentar bater no armário ambulante que é o Rich era insano, mas imaginar a cara roxa dele era ótimo. 

- Vai lá dormir Ray. Amanhã a gente leva a Emma em casa, depois podemos esquecer as coisas com os jogos, se você quiser - Como eu disse, um amigo que me entende. 

Meus sonhos não foram muito diferentes dos que eu tive ao longo da semana, a diferença é que agora eu sabia exatamente como era o corpo de Emma por baixo das roupas. Acordei no dia seguinte com um humor melhor. 

Emma já estava de pé e, meio sem jeito, tentava preparar o café da manhã na cozinha. Ela abandonou os moletons velhos da minha mãe e voltou a usar o vestido de ontem. Phill ainda dormia no sofá. 

- Que ajuda, senhorita Emma? 

- Bom dia Ray - ela sorriu - er.. tentei preparar algo, mas não consegui encontrar o que eu precisava. Onde você guarda farinha e ovos?

- Não precisava se incomodar Emma, eu ia preparar o café da manhã. 

- Ah, eu já estava ficando com fome - ela disse, soprando uma mecha da testa - desculpa se invadi sua cozinha. 

- Não tem problema. Quer deixar que eu assumo daqui? Ou quer finalizar o que você estava preparando?

- Ovos e farinha, por favor - ela disse, com os olhos brilhando. 

Após acordar Phill e tomarmos o café da manhã que Emma preparou (que estava muito bom), Phill e eu levamos Emma em casa. Ela morava relativamente perto da faculdade e a rua parecia ser bem tranquila, pois não tinha movimento de carro. Antes de voltar para a minha, Phill perguntou:

- Ray, minha tia tá precisando daquela força com as mercadorias dela. Topa ir lá resolver isso agora antes de ir para sua casa?

- Só se for agora. 

Phill mora com sua tia desde que eu me lembre. Ela trabalha com comércio e acredita que todo mundo deve batalhar para ter dinheiro, assim, Phill faz alguns serviços para ela desde pequeno e recebe seu salário, por isso já tem carro e tudo mais. A minha sorte é que ele sempre divide algumas funções comigo e estou conseguindo juntar uma boa grana. A maioria das coisas que fazemos é descarregamento de mercadoria, colocar em estoque, fazer anúncios no site dela e ficar de olho se alguma promoção aparecer. É tranquilo e muita coisa dá para fazer de casa mesmo. A tia de Phill é bem generosa com a gente e sempre ganhamos alguma comissão quando algo que anunciamos vende. Acontece uma certa competição amigável entre nós dois para saber quem vai vender mais no fim do mês. 

- Ei Phill - peguei uma caixa nos ombros enquanto ele pegava outra - e seu bom humor de ontem mesmo voltando cedo?

Phill riu e a luz do sol iluminou seu rosto, deixando seus olhos mais azuis e ele fez aquela cara de sempre. 

- A Midori quer sair mais vezes comigo. 

Quase deixei a caixa cair no chão. Aquela informação não combinava com o Phill que eu conhecia. 

- E como isso te deixou de bom humor?

- Eu de cara quis desistir - ele respondeu - mas ela falou comigo que não quer nenhum relacionamento, só sair para curtir mesmo. 

- E você, Phill, acreditou nela?

- Não - algo não fazia sentido - mas ela já sabe que eu não quero nada sério, então de todo jeito está avisada. 

Nós continuamos a transportar as caixas para o estoque da loja da tia de Phill em silêncio, cada um digerindo a noite anterior. Phill sabia que naquele momento eu não queria conversar nada a respeito de Emma ou sobre o encontro desagradável com Rich, então ele não comentaria nada até o momento que eu resolvesse falar. O cheiro inebriante do meu shampoo nos cabelos de Emma me desnorteou na noite anterior e ainda estava marcado em minha mente e, além disso, meu corpo ansiava em tê-la mais uma noite. As memórias de Emma em meu quarto, com o moletom largo demais para seu corpo, me olhando daquele jeito sedutor, usando sua voz doce para me persuadir... E agora eu estava aqui, querendo experimentar tudo novamente. Pelo olhar do Phill, imagino que ele esteja pensando no mesmo que eu. 

Terminamos de descarregar todas as caixas depois de duas horas de trabalho. A tia de Phill nos pagou, passou as informações do que teria que ser anunciado na próxima semana e fez um lanche para nós. Phill subiu no seu carro e eu fui logo atrás. Voltamos para minha casa. 

Peguei meu video-game e instalei na TV da sala. Mamãe reclamava que o barulho atrapalhava a concentração dela na hora de montar as provas e corrigir os trabalhos, então eu só tirava do meu quarto nas férias ou, no caso, quando ela não estava. Após uma tarde inteira jogando com Phill e conversando sobre nada muito relevante, Phill soltou uma:

- Acho que a Midori era virgem e não quis falar. 

Eu morri no jogo. Porra Phill, como você fala uma coisa dessas bem no chefão?

- Como assim Phill? - perguntei enquanto reiniciava o jogo. 

- Sabe quando elas não sabem muito o que fazer? Ou quando fecham os olhos ou se cobrem quando a gente tira a roupa? Então. 

Dessa vez eu não iria morrer. Pausei o jogo, já que Phill continuou apertando o botão de atirar sem notar que seu personagem também estava fora da jogada. 

- Ela não comentou nada mesmo? Mas você não disse que ela estava com camisinha? Geralmente elas carregam quando já esperam por isso, não?

- Não, não comentou. Quando perguntei, ela desconversou - senti o incômodo dele em sua fala. Mesmo animado com a possibilidade de transar com ela de novo, Phill estava apreensivo pela possibilidade dela ter se arrependido. Às vezes isso acontecia e era uma situação chata para as garotas. 

- Ei Phill, tenta relaxar. Ela não estava animada depois e te falou que queria encontrar de novo não é? Ela deve ter curtido, independente se era a primeira vez ou não. 

- É, ela parecia bem animada quando deixei ela no dormitório. Só tem uma coisa que não entrou direito na minha cabeça: por que será que ela não quer que a gente se aproxime da Yuki?

- Sei lá, vai ver é uma amiga ciumenta. 

Phill deu de ombros e voltou a atenção ao jogo. Depois de muito tentar, conseguimos vencer o chefão. Já era muito tarde e, para variar, Phill preferiu passar a noite em minha casa. Enquanto ele foi tomar banho, fui arrumar a cama dele no quarto onde Emma passou a noite. O cheiro dela ainda estava no ar e notei que ela esqueceu a fita que estava nas mechas do seu cabelo em cima da mesa. Levei para meu quarto e guardei cuidadosamente em minha carteira, para entregá-la na segunda-feira. Curiosamente, só notei agora que meu quarto também tinha o cheiro de Emma por todo lugar, em especial meu travesseiro e minha cama. Então é assim quando a gente trás uma garota para o próprio quarto. 

Senti Phill me cutucando com os pés. 

- Ray? Tá sonhando de novo aí? Vai tomar banho cara. Depois você sonha com a Emma. 

Phill deveria estar muito cansado, porque quando saí do banho já dava para ouvir ele roncando no quarto. Desliguei o video-game, apaguei as luzes da casa e fui dormir, com o cheiro cítrico já fraco, me fazendo lembrar de como perdi feio o jogo para Emma na noite anterior. 

sábado, 11 de setembro de 2021

Yuki - fim de semana

Nós duas acordamos quando o sol já estava alto, indicando que o horário do almoço estava próximo. Fomos para a casa de Midori andando e conversando no caminho. 

- Então Yuki, gostou de aprender a dançar?

-Até que foi divertido. Mas ainda acho que não levo jeito. 

- Ah, leva sim! Você pegou muito rápido os movimentos que a Emma estava mostrando

- E você Midori? Me disse que não sabia dançar, mas sabia sim! Você dançava tão bem quanto a Emma. 

- Se eu tivesse dito que saberia você não iria querer tentar Yuki.

Midori me conhecia muito bem. Eu não gostava quando aparentava que todo mundo sabia de algo e eu não entendia. Me deixava um pouco ansiosa. 

- Você chegou muito tarde? - perguntei a Midori, sem esperar a resposta. 

- Um pouquinho - Ela corou levemente, o que era uma novidade. Dificilmente eu conseguia fazer a Midori ficar sem graça ou com vergonha sobre alguma coisa, geralmente é o contrário - Você já estava dormindo, não queria te acordar. 

- Não é incômodo nenhum qualquer coisa que venha de você Midori - disse a ela. 

Ela mexeu um pouco nos seus cabelos longos, segurando uma mecha de cabelo entre os dedos. Ela estava pensativa sobre algo. Quando éramos mais novas, dificilmente ela ficava submersa em seus pensamentos, mas desde que entramos no ensino médio, seus momentos de silêncio tinham ficado mais frequentes. Problemas de família, na maioria das vezes. Eu não sabia o que era isso. Só sei que quando chegasse a hora certa, ela me contaria o que tanto a preocupava. 

Logo chegamos à casa dela e sua mãe estava à nossa espera, nos recebendo na porta com um sorriso.

- Midori-chan, Yuki-chan, bem vindas de volta! Haru está aqui hoje!

Haru é a irmã mais velha de Midori, mas eu só conhecia por foto e na chamada de vídeo que tivemos no início da semana. Elas eram muito parecidas, com exceção de que os cabelos de Haru batiam em seus ombros, enquanto os de Midori quase chegavam na cintura. Fomos almoçar. Por ser de uma família tradicional, eles seguiam as tradições do Japão mesmo fora do país. O estilo da casa, as regras de etiqueta, a alimentação.... O que eu não sabia fazer Midori me ajudava. 

- Yuki-chan, os sapatos estão servindo bem? Tem certeza que não precisa de mais alguma coisa? - Mãe de Midori me perguntou.

- Estão sim dona Natsuki - respondi corando como sempre - não precisa de se incomodar. 

Ela sorriu discretamente. Midori se parecia muito com ela. 

- Midori - o pai dela falou - leve sua amiga para conhecer a casa depois. Dependendo do que ela quiser cursar na faculdade, podemos arrumar algum cargo para ela na empresa. Aproveite a visita de sua irmã para vocês conversarem a respeito. 

Não entendi o que ele queria dizer. Pensando bem, Midori não costumava falar muito do que seus pais faziam. Acho que ela evitava o assunto. Não entendo os motivos, afinal ela parecia ter uma família bem feliz. Ela tinha uma casa bem grande, uma mãe amorosa e uma irmã companheira. Eu não tive nada disso durante minha vida, únicos afetos que tive foram de poucas irmãs e de Midori. Então para mim era difícil entender o que ali poderia incomodar ela. 

Após o almoço, Midori e sua irmã Haru me mostraram tudo da propriedade. Além da casa principal, havia uma casa menor usada para reuniões de negócios dos pais delas, um espaço para o banho tradicional, e cercando cada espaço da propriedade, um belíssimo jardim. Haviam pedras espalhadas, um pequeno riacho correndo por todo o terreno, uma ponte de pedra, flores, árvores e postes para iluminação à noite. Haru parecia mais à vontade para falar dos negócios de sua família e Midori estava um pouco incomodada, colocava a mão na cabeça algumas vezes para tampar o sol e disse que iria só tomar um remédio e voltava. Fiquei sozinha com Haru. 

- Yuki-chan, imagino que Midori-chan nunca comentou a respeito do que trabalhamos, não é?

- Não, nunca comentou. 

- Sabe o motivo dela ser tão fechada quando o assunto é família?

Aquilo atiçou minha curiosidade. Mesmo conhecendo Midori há pouco mais de 10 anos, nunca me atrevi a perguntar as coisas que ela naturalmente não me contava. Ela era muito fechada em alguns aspectos. 

- Nossa família tem tradição em trabalhar com peças mecânicas para robôs. Babás inteligentes, essas coisas. A maioria são para auxiliar em tarefas pesadas ou perigosas aos seres humanos, mas estamos ampliando também para auxílio doméstico. 

Eu já tinha visto alguma coisa dessas em uma das fotos que Midori me mostrou uma vez. Estava na foto com a Haru e com o marido dela. 

- Dessa forma, cada membro da família fica em algum país para expandir os negócios. Como você pode ver, a empresa do meu pai lucra muito, por isso temos uma vida muito confortável, mas isso requer um preço que para Midori parece ser mais alto. 

- Como assim Haru? - eu não sabia o que era este "preço", mas não me parecia algo muito bom ou justo.

- Nós duas, como herdeiras da empresa, não podemos seguir uma carreira diferente. Não podemos ser exatamente quem nós quisermos. Isso inclui o curso da universidade e, obviamente, os pretendentes para o casamento. Meu casamento foi arranjado quando eu tinha a idade de Midori. Ela não quer ter o mesmo futuro que eu tive, mas temo que ela não conseguirá escapar, afinal de contas, a ideia é que os negócios permaneçam na família, dessa forma casamos com um parente ou no máximo, com algum herdeiro de uma empresa subordinada às nossa.

O almoço começou a embrulhar no meu estômago. Aquilo parecia ser algo muito cruel. Não poder escolher a profissão nem com quem a pessoa passaria o resto da vida? Era algo muito horrível, mesmo com todo o dinheiro e com o sucesso da empresa. 

- Porém - Haru continuou - O que Midori não sabe é que eu e meu marido estamos investindo em um ramo que ninguém da nossa família quer arriscar, e que eu sei que Midori vai gostar. 

- E qual é?

- O de próteses humanas. Eu e meu marido estamos firmando parceria com uma outra empresa para investir na construção e no desenvolvimento de próteses humanas. Tenho certeza que quando Midori souber, ficará extremamente feliz. Quando pequena ela dizia que queria ser mecânica de gente. Mesmo que ela não possa ser médica, ela ficará feliz em saber que poderá desenvolver próteses. 

Lembrei de Midori pequena, tentando reconstruir meu baú quebrado e chorando porque ela não conseguia. Lembrei das irmãs brigando com as garotas do quarto que quebraram o meu baú, mas nada fizeram para substituí-lo. Ele continuou quebrado e Midori continuou chateada por não poder fazer nada. Desde pequena ela tinha influência da família do que faria no futuro.

- Por favor não conte à Midori sobre essa novidade, Yuki. Estamos providenciando um estágio com um dos engenheiros da empresa parceira, mas só contarei ao papai e a ela quando estiver tudo acordado. 

Assenti com a cabeça. Ela logo mudou o assunto, pois Midori se aproximava:

- As roupas couberam bem em você, Yuki-chan?

- Er, sim, couberam, obrigada Haru - eu corei.

Midori chegou com uma bolsa de gelo na cabeça. 

- Bati minha cabeça na mesa do meu quarto - ela disse, olhando para o chão. Mas eu conhecia Midori e sabia que aquilo era mentira.

Fomos para o quarto de Midori. Ele era grande, espaçoso, porém relativamente vazio. Tinha uma cama grande demais, uma mesa, uma estante com muitos livros e uma pequena estante com protótipos. Enquanto ela procurava algo pelo quarto, observei de perto as peças montadas, cada uma marcada com um ano diferente. Fiz as contas e a mais antiga batia quando Midori fez 7 anos e era uma peça simples comparada com a datada mais atual, do ano passado. Eram todas peças que pareciam ser parte do corpo humano. Um dedo, um joelho, um pé, uma mão.... As mais novas possuíam muitos detalhes, eram mais trabalhosas e eram mais parecidas com uma prótese real. Comecei a entender o que Haru disse que aquele ramo animaria Midori. Ela parecia gostar disso desde pequena. Pensando bem, mesmo com mais de 10 anos como sua amiga, percebi que conhecia muito pouco da Midori além da escola. Isso me entristeceu um pouco.

- Yuki! Ah, está vendo minhas montagens? Legais, não? - ela se aproximou de mim, ainda segurando a bolsa de gelo na cabeça, um pouco melancólica - Esse dedo eu fiz quando tinha 7 anos - disse ela apontando para a peça mais antiga - esse aqui era para ser um joelho, mas não consegui finalizar direito. Essa última que eu montei foi o pé e eu tentei modelar como se fosse um pé de verdade, com todos os ossos - ela apontou para o pé, que realmente era um modelo muito perfeito. 

Apesar de estar falando com entusiasmo de seus modelos, senti que sua voz estava um pouco triste. Imaginei se a questão do que Haru comentou sobre o casamento arranjado seria uma realidade próxima para Midori e fiquei com um aperto no coração por ela. 

- Yuki, posso te perguntar umas coisas?

- Claro Midori, você sabe que não precisa pedir permissão para perguntar nada para mim, sou sua amiga. 

Ela me levou até sua cama e nós duas sentamos de pernas cruzadas. 

- Como são as aulas nas áreas biológicas? Quais matérias você tem?

- Ainda estão relativamente fáceis comparadas com as que a gente tinha no colégio - respondi, surpresa com a pergunta. Ela não precisava pedir para perguntar aquilo - ainda não tive todas as aulas, mas temos morfologia, química 1, bioquímica, parasitologia geral, genética e biologia molecular. Estou tentando estudar todos os dias após as aulas para não deixar nenhuma matéria acumular. Na maioria das vezes, Emma estuda comigo. E as suas aulas?

- São muito mais difíceis que as do colégio. Temos cálculo 1, algoritmo 1, geometria 1 e física e química fundamental. Mesmo sendo menos disciplinas, a gente sai da aula com a sensação que o cérebro desistiu de pensar. - Ri da expressão que Midori usou. Era exatamente assim que eu me sentia após genética e parasitologia - e seus professores?

- São bem diferentes dos que davam aula no colégio... a maioria só fica falando sem parar. O professor Carlos de bioquímica é o melhor, na minha opinião. E o de biologia molecular dá pouca aula e prefere liberar a gente para estudar por conta própria. O de química ainda não conheci porque as aulas só começam semana que vem. E os seus?

- São iguais. Falam, falam, falam e depois passam uma lista de exercícios enorme para a aula seguinte. Acabo madrugando para terminar as listas ou acordo antes das 6h para dar conta de fazer tudo. 

Eu sabia que Midori não gostava de acordar cedo, ouvi-la dizer quer acorda às 6h para fazer as atividades da faculdade mostra o quanto ela é comprometida, mesmo os que ela não goste de fazer. 

- E sua cabeça Midori? Está melhor?

Ela segurou o gelo com uma das mãos e o colocou sob o travesseiro. 

- Está - ela riu um pouco - acho que eu tomei mais bebida na festa do que pretendia - ela deu um sorriso sem graça.

- Aquela bebida horrível? Como você consegue? - ainda tinha resquícios na minha memória daquele álcool queimando minha garganta.

- Eu bebia um pouco escondido do copo da Haru quando tem as reuniões aqui em casa. Acho que ela já notou, mas finge que não vê. Meus pais se souberem, não vão me deixar sair mais. Só poderia tomar quando... - ela se silenciou, fazendo uma careta. Imaginei que poderia ser algo relacionado ao que Haru comentou mais cedo nos jardins a respeito do futuro de Midori. Dei esse espaço a ela. 

- E seus colegas Midori? A gente ficou mais perto dos meus colegas na festa. Não conheci muitos dos seus. 

- Ah, ainda não tivemos muitas oportunidades de nos conhecer. A gente sai meio atordoado da sala e as listas de exercícios são todas individuais. Achei que conseguiria conversar mais com eles na festa, mas o som estava muito alto para isso. E os seus?

- Já consigo identificar quais eu devo seguir para não me perder pelos corredores e quais não devo seguir - Midori fez uma cara engraçada nesse momento - ah, esses últimos costumam faltar nas aulas. E também tem a Emma, que foi a pessoa com quem mais conversei durante a semana e estudei junto. 

- Sei... e aqueles dois bonitos que estavam com ela? 

Eu corei à menção de Ray e de Phill. Nunca parei para conversar com eles, mas a beleza deles era de me desconcentrar. 

- São do grupo de alunos que eu posso seguir para achar as salas, nunca nem atrasam. - Midori fez uma cara de surpresa e continuou esperando por mais informações. Preferi esperar ela dizer o que queria que eu dissesse.

- E o que você acha deles Yuki? - ela perguntou, levantando uma sobrancelha.

- São bonitos né? Me lembram daquele mangá que você levava para eu ler, o que a gente não sabe como termina - não consegui impedir minha pele de ficar mais vermelha do que estava. Tenho certeza que se fosse Emma, ela continuaria fazendo mais perguntas para ver até que tom eu ficaria. 

- É, são bonitos mesmo... Andou pensando em algum deles?

Senti minha pele esquentar com a pergunta de Midori. 

- Não.... Estava muito preocupada com as minhas matérias. Acho que vou ter que estudar mais genética e talvez parasitologia. 

Midori suspirou, o que eu pensei que foi de alívio. Nós continuamos a conversar sobre as diferenças entre o colégio e a faculdade, sobre a liberdade que é estar fora do colégio e Midori disse que ouviu de algumas pessoas que estavam na festa de ontem que os alunos estavam entusiasmados para fazer outra. 

Quando assustei, já estava escuro. Haru trouxe um lanche para nós e falou para eu dormir na casa naquela noite. Antes mesmo que eu pudesse protestar, Midori já tinha buscado uma toalha e uma muda de roupas de sua irmã para mim. 

Após o jantar, Midori queria dançar um pouco mais daquelas músicas que tocaram na festa. Eu protestei, mas ela me convenceu a dançar com ela. Com muita paciência, ela me ensinou um pouco mais de como me mover como ela e Emma faziam e depois de mais de 2 horas, ela disse que eu estava muito melhor do que no dia anterior. 

- Amanhã vamos treinar mais Yuki! Assim você vai poder aproveitar mais da próxima festa que tiver!

Eu já estava bem cansada quando fomos dormir, portanto nem conversamos até o dia raiar. 

No domingo nós andamos pelos arredores da casa e dentro da propriedade da família de Midori e ela insistiu para a gente dançar de novo. Até Haru se juntou na brincadeira na parte da tarde. À noite, Haru voltou para sua casa e me deixou no dormitório no caminho. Até que tirar o final de semana para divertir com Midori foi muito bom, eu estava morrendo de saudades dela. 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Ray - Quarto

Emma estava me fitando enquanto brincava com a fita que estava amarrada em uma mecha dos seus cabelos úmidos. O cheiro cítrico vindo dela invadia minhas narinas e foi chegando ao meu cérebro, causando uma leve entorpecência. O moletom velho da minha mãe, grande demais para o corpo mais magro e baixo de Emma pendia de lado nos seus ombros, me convidando a abaixar a blusa de uma vez. Eu pisquei um pouco sonolento e me afastei um pouco dela. Em resposta, ela avançou novamente em minha direção, sentando-se ao meu lado. 

- Cadê seus pais, Ray? - ela perguntou em um tom de voz doce, me olhando nos olhos, ainda enrolando a fita do cabelo nos dedos. 

Minta, diga que foram jantar e já estão voltando.

- Minha mãe está viajando - respondi bobamente. Ela estava usando alguma coisa para me afetar? O que era aquilo, algum tipo de droga?

- E o Phill? Ele não era seu carona? - ela abaixou o tom de voz e se aproximou do meu ouvido ao fazer a pergunta. 

Não caia na dela Ray, ela deve estar assustada ainda com os babacas. Não faça nada que irá se arrepender depois. Diga que o Phill vai dormir aqui. 

- Ele deve ter saído com a caloura da exatas amiga da Yuki. Não acredito que venha para cá depois - ok, essa Emma deve ter me drogado. Ela deve ter espalhado alguma porcaria no meu banheiro, só pode. 

Me esforcei para levantar do sofá e fui para a cozinha para tomar um copo de água. Emma veio saltitando em minha direção e pude ver seus peitos mexendo por baixo do moletom enquanto ela se aproximava de mim. 

- Posso? - ela pegou um copo. Enchi o copo com água e dei para ela.

Ela bebeu da água e lavou nossos copos. Coloquei as mãos no bolso e voltei para o sofá. Ela continuou a me seguir. 

- Emma, acho melhor você ir dormir. Hoje foi um dia cheio, aulas, preparativos da festa, aqueles idiotas aparecendo... Vamos lá, vou te levar para o quarto. 

Ela fez um beicinho mas não protestou além disso. Mostrei para ela o quarto, e caso ela sentisse frio poderia pegar uma coberta que deixei em cima da cadeira. Se sentisse calor era só ligar o ventilador. Ela fez que sim e então fui para meu quarto para pegar o travesseiro para ir para o sofá. Ótimo. 

O cheiro cítrico ficou forte novamente. Me virei e vi Emma parada atrás de mim. Ela olhava para mim com seus olhos verdes, mais especificamente para minha boca. Não ia adiantar, era melhor falar com ela. 

- Emma - comecei e ela se sentou na minha cama, ajeitando o moletom caído no ombro - olha, não quero que a gente faça sexo para você se sentir acolhida, se você tiver com medo ou qualquer coisa assim. Eu também não estou querendo nada sério atualmente, acredito que você também não - ela assentiu - só quero deixar bem claro que não quero me aproveitar de você se você estiver se sentindo..... vulnerável. Não quero aproveitar dos seus sentimentos. Se for para transar, quero que seja bom para mim e para você. 

- Ray então além de galanteador é um cavalheiro - ela disse com a voz mais doce que antes, acho que zombando de mim - Eu percebi Ray. Eu percebi que você não tentaria nada comigo desde que nos escondemos no banheiro. Você poderia ter dito qualquer coisa para me confortar e aproveitar da situação, mas ficou calado, não fez perguntas, não tentou "encostar" em mim. Então não se preocupe, não estou atrás de você agora por qualquer motivo além da minha vontade. 

Eu fiquei surpreso com a sua objetividade ao falar. Novamente o cheiro cítrico subiu para minhas narinas e a sensação voltou. 

- Emma, você tá tentando me drogar? - perguntei com receio. Acho que era melhor trancar ela no outro quarto e deixar ela lá até amanhã se ela estivesse tentando me drogar. Além disso, se minha mãe achasse qualquer indício de drogas, eu era um filho morto. 

- Drogas? Tá doido? - ela me perguntou com surpresa - só usei os produtos que estavam no seu banheiro mesmo. 

Lembrei que meu shampoo tinha alguma coisa de laranja ou limão ou sei lá o que. Por que então o cheiro nela era tão diferente? Enquanto eu estava processando o cheiro dela em meu cérebro, ela se aproximou de mim, rebolando um pouco. A blusa continuava caindo dos seus ombros. Ela se colocou nas pontas dos pés e se aproximou do meu ouvido:

- Vem Ray - disse com uma voz calma, baixa e doce, enquanto me puxava de leve para a cama.

Olha, geralmente eu quem começo seduzindo as garotas. Poucas que iniciam o jogo da sedução e então costuma ser bem interessante quando parte delas o primeiro passo. Porém o cheiro do shampoo no cabelo de Emma estava me desconectando dos meus sentidos. 

Sentei na minha cama e Emma sentou-se de frente para mim. Ela voltou aos meus ouvidos e sussurrou: 

- Vem Ray, vamos continuar com o beijo que estávamos dando.

Antes mesmo de eu ter qualquer reação ela me beijou, com uma urgência ainda maior do que antes. Suas mãos apertaram minha nuca e meus cabelos úmidos. Sua língua parecia estar faminta de mim. Afastei-a do beijo um pouco. 

- Só para confirmar, você não está bêbada não é?

Ela riu da minha pergunta. 

- Não, estou não. Eu não posso beber muito senão prejudica meu desempenho nos treinos. Relaxa Ray, amanhã eu ainda vou me lembrar de como você é um cavalheiro galanteador e pegador. 

Ela voltou a me beijar, dessa vez me puxando para mais perto do seu corpo. É, game over. Perdi o jogo para a Emma. Me entreguei ao seus beijos. Minhas mãos procuraram seus peitos sob a blusa de moletom. Ao segurá-los, Emma me beijou com mais urgência e vontade. Ela começou a tirar minha blusa. Minhas mãos buscaram sua pele embaixo do moletom largo. Ela tinha uma pele macia e seus peitos eram firmes. Tirei sua blusa. Enquanto nos beijamos, ela desamarrou meu short e o abaixou. Ela beija meu pescoço e me dá leve mordidas. Arrepio com seus beijos e o toque de sua língua na minha pele. Seguro de leve seus cabelos úmidos entre meus dedos para sentir seu cheiro mais de perto. 

Deito Emma na cama, embaixo de mim. Começo a beijar próximo ao seu ouvido. Ela espalma uma das mãos nos meus cabelos e a outra nas costas. Uma das minhas mãos aperta de leve seu peito e ela responde ao toque, arfando. Volto a beijá-la e vou descendo os beijos pelo pescoço e para seu peito. Continuo apertando-a de leve e ela reage a cada toque meu. Sinto um arrepio na pele. Ela começa a fazer desenhos em minhas costas com as pontas do dedo. 

Emma se inclina para frente, me fazendo sentar na cama e em seguida, indo para cima de mim. Ela beija a ponta do meu nariz e meu rosto. Ela então me beija e mordisca meus lábios, em seguida meu queixo. Suas mãos tocam meu tórax e ela me abraça. Sinto seus peitos se pressionarem contra os meus, seu coração acelerado. Sinto seu cheiro cítrico e a sensação de torpor no cérebro. Viro ela de volta para a cama e volto a beijar seu colo e seus peitos. A pele macia e cheirosa do banho recém tomado me anestesiavam. Minha mão busca o cordão de sua calça e percebo que o nó está frouxo. Tiro sua calça e me surpreendo por vê-la com calcinha. 

- Que foi? Achou que eu estaria sem calcinha também? - Ela ri da minha surpresa.

Desço meus beijos dos seus peitos para sua barriga. Assim como pensei, sua barriga era bonita e firme, assim como todo o resto do seu corpo. Continuo descendo os beijos em direção à calcinha Ela se contorce sob minha língua. Beijo sua virilha e suas coxas. Ela arfa aos meus beijos e aperta com força meus braços. Seguro suas coxas com minhas mãos enquanto beijo vagarosamente ali. Suas coxas, que tanto me enlouqueceram sob as roupas, era minha vez de enlouquecê-la com meus beijos. Deslizo minha mão pelas suas coxas até sua bunda, bem firme. Aperto. 

- Ah Ray. - Ela suspira. 

Meus beijos retornam à sua calcinha. Tiro sua calcinha e Emma auxilia. Ela me puxa pela cueca e começa a tirá-la também. Emma volta a beijar meu tórax, sobe para meu pescoço e volta para meus lábios. O cheiro cítrico de seus cabelos já me entorpeceu totalmente. Ela aperta minha bunda e sua outra mão desce em direção à minha virilha. 

Meu celular emite sons de mensagens. Continuamente. Droga, por que não deixei essa porcaria no silencioso? Só faltava ser o Phill agora. Ou reclamando que não aconteceu nada e que vai voltar para cá. Espero que não, fique longe da minha casa agora Phill. 

Emma notou minha inquietação com as notificações do celular. 

- Quer olhar o que é? - ela perguntou em uma pausa entre os beijos. 

- Agora não - respondi - meu compromisso agora é com a senhorita Emma. 

Voltei a beijá-la. Não aguentava mais me segurar. Fui até a escrivaninha e peguei uma camisinha. Enquanto abria o pacote, ela beijou minhas costas, me arrepiando novamente. Ela riu e voltou a beijar ali, me desconcentrando da tarefa de colocar a camisinha direito. Me virei, peguei-a no colo e levei-a de volta para a cama. Deitei Emma na cama e fiquei em cima dela. Ela me olhou e sorriu. Mas era um sorriso de quem aprontou. Tipo o sorriso que eu costumo dar para cima das meninas. Então Emma me derrubou na cama com um movimento e foi para cima de mim. 

Ela se encaixou em mim e começou a se movimentar devagar. Apoiou suas mãos em meu tórax, prendeu as pernas ao lado do meu corpo e continuou os movimentos, aumentando a intensidade aos poucos. 

Minhas mãos apertam seus peitos. Ela me suspende pelos braços e me trás para mais perto dela. Nossos lábios se encontram em mais um beijo, mais faminto, mais urgente. Ela continua se movimentando e eu ajudo.

- Ahhh Ray. Ahhh - ela geme. 

Arrepio com sua voz em êxtase. Aperto seu peito com mais força e sua bunda. Ela arfa e não pára de se mover.

- Isso Ray, isso, ahhhh.

Ela inclina a cabeça para trás enquanto goza. Ver ela assim me excita mais ainda. Beijo seu pescoço enquanto continuo os movimentos. Ela continua gemendo. 

- Ah Emma, ahhh. 

Ela me aperta com força e eu gozo. 

Emma está arfando muito mais do que quando corremos da festa. Seu coração batia rapidamente e dava para ver sua pele vibrando com as pulsações. Tiro ela de cima de mim com cuidado e me livro da camisinha. Ela receia se aproximar de mim, então eu puxo ela para mim e a abraço. Ela retribui o abraço e seus cabelos fazem cócegas no meu nariz. Aguardo nossas respirações normalizarem. 

- Ei ei Ray, seu celular - ela me lembrou. 

Aff, ainda tinha a droga das notificações. Coloquei minha cueca e meu short. Fui olhar o celular. Oh droga, hoje não....

- Que foi Ray?

Phill mandou um monte de mensagens, todas confusas. O que eu entendi é que ele iria levar a Midori de volta ao dormitório e voltaria para dormir na minha casa. Mas que isso ainda iria demorar um pouco. 

- Phill vai vir para cá daqui a pouco. Merda. 

- Quer que eu me escondo? - ela riu debochando. 

E agora, como explicar para Emma que eu nunca trago nenhuma garota para meu quarto? E como explicar para o Phill que eu fiz exatamente o que eu digo que nunca faria, pelo menos não tão cedo? Se minha mãe tivesse aqui, ela só iria rir de mim e fazer amizade com a Emma, ela seria o pior dos meus problemas. 

-Err, não precisa, eu me viro com o Phill. Está com fome? Quer beber algo? Tomar um banho de novo, talvez?

- Acho que preciso de um pouco de água. 

Emma começou a se vestir e eu fui à cozinha. Enchi um copo com água e levei para ela. Ela tomou a água e começou a ficar sonolenta. Não a culpo, a maioria das meninas ficam assim depois. Emma foi para o outro quarto, mas antes de entrar, debochou de mim:

-Ray, o cavalheiro pegador - soprou um beijo em minha direção e foi dormir.

Vesti minha blusa, limpei a bagunça da cama e voltei para sofá, mas só fiquei deitado, olhando para o teto, esperando o Phill chegar. O que será que Emma tinha de especial que me permiti trazê-la para casa? E ainda mais, transar com ela no meu quarto. Isso era novidade até mesmo para mim. 

Phill chegou e pediu para eu abrir a porta. Ele entrou e sentou no sofá, rindo. Aquilo era novidade para mim. Phill chegando cedo, depois de levar uma garota de volta para a festa mas estava de bom humor? 

- Ok, vamos às explicações - ele começou - Cheguei na Midori. Tudo certo. Ela tava doida comigo. Fomos para o motel. Foi mal cara, sei que você tava na cola da Emma e queria levar ela também, mas Midori me puxou para o banheiro. Aí sabe como é né? Banheiro, aquele canto apertado, a adrenalina de alguém bater na porta porque quer usar.... Ela só me mandou ficar calado por um tempo e depois voltamos a nos pegar. Não deu para esperar vocês dois. 

Eu ri. Não só da situação muito mais cômica e feliz do Phill, mas porque eu também estive dentro do banheiro com a garota que eu queria pegar, mas sob circunstâncias diferentes. 

- Aí tá, transamos, esqueci de levar camisinha, mas parece que ela tinha, o que foi um alívio. Aí depois ela me avisa "Ah Phill" - ele imitou uma voz feminina, mas sem debochar - "não posso voltar para casa tarde sozinha, tem como você me levar de volta para o dormitório? Vou dormir no quarto da Yuki".Tá, ok, levo a garota de volta para a festa. Ficamos um pouco na festa, te procurei e não achei mais ninguém conhecido. Só ouvi uns boatos que teve uma briga na festa. Já que não te encontrei, presumi que você tinha voltado para casa. 

Ouvi a versão resumida da história do Phill. Ri novamente da ironia da minha situação e da situação dele. 

- Ah, e tem outra coisa - ele adicionou - quando eu fui levar a Midori para a festa, ela reclamou comigo. 

- Reclamou? Como assim? Você fez algo errado ou não deu conta?

Phill me deu um soco.

- Não cara, não é isso. Ela disse "não se aproxime da minha amiga Yuki, nem você, nem seu amigo moreno bonito. Fiquem vocês dois longe dela". Bom, eu não tô com muito interesse na nossa coleguinha nerd que vive isolada. Você tá?

Lembrei da Yuki na sala. As roupas normais, sem mostrar muito seu corpo. Nada chamativa, a não ser pela cor dos cabelos e da pele e por ser um pouco mais alta que a maioria das meninas. Mas nada que me atraísse. Fiz que não com a cabeça. 

- E aí cara, fico te devendo uma por furar seu programa com a Emma, te compenso depois - Phill disse, apertando meus ombros e mexendo no meu cabelo - Posso beber um gole d'água?

- Errr, sobre a Emma, você não vai acreditar Phill - disse para ele quando ele voltava da cozinha com o copo de água - é melhor você sentar. 

sábado, 21 de agosto de 2021

Ray - festa (parte 2)

Eu e Emma desviamos do mundo de calouros dançando e se pegando. Ela corria sem perder o fôlego, deu umas voltas desnecessárias pelo espaço da festa e depois correu pelos corredores do dormitório. Ela ainda apertava meu braço com força para não me perder na corrida. Só depois que saímos do prédio que entendi as voltas desnecessárias. Era para confundir Rich e seus amigos idiotas. Ainda fora do prédio, Emma não desistiu de correr e me arrastou para a praça principal do campus. 

Como era sexta à noite, era esperado que a praça estivesse completamente escura e sem pessoas circulando. Uns poucos casais aproveitavam a escuridão. Emma olhou aflita pela praça e finalmente começou a perder o fôlego, enquanto eu respirava com mais dificuldade. Então não só os músculos dela, mas seu pulmão me deram a certeza que ela com certeza praticava muito algum tipo de esporte, e já começava a desconfiar do que poderia ser. Ela então correu os olhos rapidamente pela praça, segurou meu braço novamente e me levou para dentro do banheiro masculino. Entrou numa das cabines e me puxou para dentro. 

Geralmente eu ficaria extremamente excitado com uma garota usando um vestido me puxando para dentro de uma cabine dentro do banheiro numa sexta à noite. Mas nem eu estava mais no clima para transar com a Emma e nem ela parecia estar no clima para qualquer coisa, pois estava assustada, o que era novidade. E transar na cabine do banheiro masculino era uma ideia fedida. Pelo menos as do banheiro feminino costumavam ser mais limpas. Ela estava de costas para mim e respirava pesado. Eu ainda estava um pouco ofegante devido a corrida, mas ela parecia mais abalada do que cansada. Me pergunto o que ela tem a ver com Rich e seus amigos de merda e como eles se conheciam. 

- Emma? - sussurrei baixinho. 

Ela se virou e pude ver lágrimas em seus olhos de esmeralda, mesmo na escuridão. Oh meu Deus, ela não está nada bem. 

- Psiu! Eles ainda não foram embora - ela me censurou. 

Ela parecia sem jeito e cruzou os braços sob o próprio corpo, como se estivesse se abraçando. Fiquei com receio de oferecer um abraço e ela entender errado, mas foda-se. Abracei-a. Ela afundou o rosto no meu peito e escondeu o choro sob meu casaco, deixando o abraço confortá-la. Aos poucos minha respiração foi se normalizando e pude perceber que apesar da Emma ter respirado pesado nesse tempo todo, seu peito não arfava como se estivesse se esforçando muito. Seu coração estava acelerado, mas também foi se acalmando. Ficamos assim por um tempo indeterminado. Percebendo que ninguém apareceu, soltei Emma do meu abraço e disse à ela:

- Vamos Emma, vou te levar em casa. Você precisa de pegar ônibus, táxi, alguma coisa assim? - Ela fez que não com a cabeça - Então vamos andando, te levo em casa e depois volto para a minha, pode ser?

Ela continuou em silêncio, mas abriu a porta da cabine do banheiro. Eu saí antes dela para averiguar o lado de fora e nada tinha mudado. Os casais no escuro. A música da festa ao fundo. O campus vazio. Nós fomos andando para a saída, ambos calados. Eu não a forçaria a falar. Ver a Emma andando normal e não saltitando era estranho, parecia que ela era outra pessoa. E mesmo que ela quisesse falar algo ela falaria para um cara que ela conheceu à uma semana? Acho que não.

Saindo do campus e andando pelas ruas do bairro, ela puxou a manga do meu casaco com a mão de leve, para me chamar a atenção. 

- Ray? - ela levantou os olhos para o meu rosto - será que eu posso ir para sua casa hoje? Tenho medo de que o Lucas vá na minha casa me procurar.

Ahhh não. Isso não, por favor. Já estava difícil de me controlar com ela só nos meus pensamentos.

- Não tem uma casa de alguma amiga que você possa ir? 

Ela respondeu um não silencioso. Revirei os olhos. Ótimo, a garota que eu quero transar está se convidando para ir na minha casa no dia que meu amigo não vai dormir lá e minha mãe não está em casa. Se não fosse o susto da festa, essa situação estaria perfeita, exceto pelo fato que eu não queria me envolver romanticamente com Emma e ela estava abalada. 

- Tudo bem, tudo bem....

Os olhos dela se iluminaram e aos poucos a Emma de antes foi voltando. 

- Por que você conhece o Lucas? - Emma perguntou.

- Na verdade eu conhecia o Rich, o idiota. Capitão do time de futebol e ex-colega de sala. Graças ao Phill eu nunca dei um soco na cara dele. 

Emma pareceu se divertir com aquilo, o que por um lado era um alívio ver que ela estava se recuperando do susto. O lado ruim é que o jeito Emma me fazia perder a linha e eu teria que me segurar naquela noite. 

- Lucas, o outro idiota - Emma disse - foi meu primeiro namorado. A gente começou a sair antes do primeiro ano do ensino médio. Ele era legal - Eu fiquei surpreso que Emma resolveu contar sobre isso - e o namoro esquentou como qualquer namoro de adolescente. Até aí, tudo bem. E as coisas continuaram normais e do nada o Lucas ficou possessivo. Não queria que eu treinasse mais, não queria que eu fizesse isso ou aquilo.

Ela chutou uma pedrinha e acertou uma árvore. Aprendi que quando as mulheres estão falando, é porque confiam em você. Ou porque estão muito bêbadas, mas esse não parecia ser o caso. 

- Ele começou a comprometer meus treinos com o TKD -  ahhh isso explica o porte atlético e os músculos - até que eu descobri que mais ou menos na época da mudança de atitude, ele ficou amigo de umas pessoas erradas. Aí o Lucas decidiu que não queria namorar só uma pessoa e começou a sair com outras garotas enquanto eu ainda acreditava que éramos namorados. Eu virei uma transa fácil para ele, porque eu estava sempre disponível.

Aquilo me ferveu o sangue. Pegar geral sem compromisso é uma coisa, mas pegar geral enquanto você está namorando alguém é deslealdade. Emma não precisava me dizer que as pessoas erradas eram Rich e seus outros amigos de merda. Aquele cara foi influenciado pelo pior merda do meu antigo colégio. Eu senti pena da Emma. Senti nojo do tal Lucas. Adicionei ele à lista de quem eu socaria se encontrasse pela frente. 

- Bom, descobri de um jeito ruim - Emma continuou - tive que fazer uns tratamentos médicos e psiquiátricos. Afetou tudo na minha vida, minhas notas, minhas amizades, meu treino, as competições e especialmente minha saúde. 2 anos depois eu já estava bem melhor após os tratamentos. Ao final do 3º ano eu já estava completamente recuperada. Peguei umas matérias extras no colégio para recuperar o tempo de estudo e passar no vestibular. Consegui passar na faculdade que eu queria. 

Emma voltou a ser a Emma das salas de aula. Saltitante, brilhante, animada, capaz de derreter um coração congelado. Até mesmo o seu próprio coração. Emma era muito forte, eu tinha que admitir, e não só fisicamente. Ela conseguiu que seu passado derretesse e ficasse para trás. 

- Por isso que atualmente eu não quero me envolver com ninguém. Quer dizer, namoro sério, essas coisas. Ainda quero transar com você Ray - alerta!! Perigo, perigo! - Você é sexy para caralho. 

Eu já tinha conseguido canalizar todas minhas energias em não ver a Emma como a mulher que eu queria transar naquela noite, e ela conseguiu dissipar meus esforços. Instantaneamente voltei a reparar em como seu vestido era esvoaçante com o vento e mostrava a curva da bunda dela. Droga.

Chegamos em casa. Levei Emma na cozinha e lhe ofereci algo para beber ou comer, mas ela não queria nada. Perguntei se ela queria tomar um banho antes de dormir. Ela pareceu querer aceitar a oferta, mas suas palavras pairaram no ar. Óbvio anta, ela não tem roupa para trocar nem para dormir. 

- Vou ver se tem alguma roupa da minha mãe para te emprestar Emma. 

Achei uns moletons antigos que não via minha mãe usando há anos. Até ela voltar eu lavaria e voltaria para o lugar certo. Deixei Emma tomar banho primeiro enquanto fui organizar o quarto ao lado do meu para Emma. Teoricamente seria onde Phill dormiria, mas como ele não voltaria naquela noite, não haveria mal em colocar Emma lá. E Phill e eu acabávamos jogando à noite inteira na maioria das vezes que ele dormia aqui também. Por precaução, dormiria hoje no sofá, bem longe da Emma. A que ponto cheguei, fugir dentro de minha casa da garota que eu quero transar!

Emma saiu do banheiro e eu entrei para tomar banho. Tomei um banho bem quente para amolecer os músculos das costas, que sempre tencionavam quando eu ficava ansioso com algo. Emma cantarolava alguma coisa pelo corredor. Saí do banho, coloquei minha roupa e fui indicar à Emma onde ela dormiria. Não era nem 1 da manhã ainda. Fui para o sofá da sala, e Emma me seguiu. Não Emma, volte para o quarto. 

- Então - ela disse sentando ao meu lado - não vai dormir?

Ela estava com um cheiro cítrico saindo de seus cabelos. Parecia laranja. Os moletons de minha mãe ficaram grandes em Emma. A blusa ficou caindo no ombro e ela ficou amarrando a calça com frequência. Puta merda, essa garota sabe ficar sexy até dentro de um moletom. Quero tirar aquele moletom logo. Quero tocar seu corpo. Quero beijar cada parte do corpo da Emma. Mas hoje não poderia. Hoje não.

sábado, 14 de agosto de 2021

Ray - Festa (parte 1)

Emma convenceu a mim e ao Phill a ajudar nos preparativos da festa. Nós chegamos cedo para colocar as bebidas para gelar e distribuir os salgadinhos nos pratos. Ajudamos a colocar as luzes nos locais certos, instalar as caixas de som com o computador. Essa parte ficou mais por conta dos calouros das exatas.

Emma estava usando outro conjunto de blusa e short curto, mas dessa vez ela resolveu colocar sutiã. Infelizmente. Vários movimentos e corridas que ela fazia naturalmente me permitia observar melhor o que a blusa escondia. Se não existisse o sutiã ali para atrapalhar a visão, daria para ver até o bico do seio. Phill aproveitava para observar as poucas calouras das exatas que apareceram para ajudar. Acho que nossa área estava mais abençoada com as garotas. 

Após organizar tudo, Emma e os outros calouros foram para casa ou para os quartos do dormitório para se arrumar. Phill e eu fomos para minha casa. Chegando em casa tinha um bilhete da minha mãe:

"Ray querido, 

Estou indo para aquele congresso de fisiologia relacionado à regeneração e transplante  que te falei semana passada. 

Confundi a data dele com o congresso de fisiologia do esporte. 

Por favor, tente não queimar a casa enquanto eu estiver fora. 

Mamãe te ama.

PS: a comida está pronta e congelada, só esquentar no micro-ondas

PS2: Se o Phill passar a noite aí, pegue a roupa de cama daquele armário do meio, estão limpos. Podem pedir pizza na minha conta. 

PS3: se quiser algo daqui, me avise. Pode ser que tenha livros diferentes."

- Parece que o Senhor Ray será o dono da casa por uma semana inteira - Phill espiou por cima dos meus ombros o bilhete da minha mãe. 

- Dono da casa e da limpeza né esperto? - retruquei - Vai lá tomar banho Phill, nenhuma gata vai se aproximar da gente com seu suor se espalhando pelo ar.

Nos arrumamos e voltamos ao dormitório. Dava para ouvir o som alto tocando. A festa pelo visto já estava animada. Emma nos achou rápido. Ela estava vestida com um vestido claro, na altura dos joelhos, o que deixava as linhas das suas pernas mais marcadas e chamativas. O vestido era mais apertado na cintura, deixando sua bunda mais bonita do que era. A parte de cima do vestido provava que independente se Emma estava ou não de sutiã, seus peitos pareciam ter o tamanho perfeito. Ela colocou uma fita em uma mecha de cabelo, o que deu um certo charme. Ela veio saltitado, como sempre, para nossa direção. Isso senhorita Emma, faça isso mais vezes. Assim posso ver melhor suas coxas. E sua calcinha. 

Mesmo a noite apenas começando, Phill mantinha o hábito de fingir beber as cervejas e hoje eu não ficaria perto das mesas para ouvir as novidades, pois eu queria aproveitar mais da festa. Mais calouros foram chegando e logo não se dava mais para conversar direito, por conta do barulho de muitas pessoas conversando adicionado ao som da música alta tocando. Se tem algo que é melhor do que ver as garotas de roupa normal na faculdade, é ver as garotas nas festas. Elas ficam completamente diferentes. Ficam mais bonitas. Phill volta e meia me cutucava quando passava uma gata que a gente não conhecia ou fazia um sinal quando o vestido da Emma levantava um pouco mais e ela tenta abaixá-lo com uma das mãos. Que péssima, quer dizer, que ótima escolha de roupa Emma. Logo, Emma chamou eu e Phill para nos juntar a outros colegas que ela encontrou no meio daquele tanto de gente.

Era Yuki, a tal novata solitária. fiquei ligeiramente surpreso que ela tenha vindo, pois sempre fica isolada da maioria dos colegas, a não ser Emma, que com seu jeito saltitante conquistava a todos e quebrava qualquer coração de gelo da sala. Ela estava usando um vestido mais comprido que o da Emma. Felizmente, esse vestido mostrou que ela era muito mais bonita do que a Yuki que vemos todos os dias, sentada na primeira carteira e enfiada atrás dos livros. Porém a Emma me provocava muito mais. E ela estava acompanhada pela garota que vimos no primeiro dia de aula. Essa garota olhava (in)discretamente para o Phill. Logo ele também percebeu e começou a ficar de olho nela. 

- Ei Phill, o que acha da amiga da novata? - perguntei em um tom mais baixo no meio daquele barulho, só para ele ouvir.

- Ela não para de olhar para mim, isso eu já notei. É ela quem nós vimos no primeiro dia de aula, não é?

Fiz que sim com a cabeça. 

Phill perguntou à Emma sobre a garota.

- É a Midori, quem apelidou a Yuki - ela disse, apontando para Midori, rindo um pouco - amiga desde sempre da Yuki e caloura da exatas. Aqueles ali são outros colegas dela da exatas - disse Emma apontando para algumas pessoas aleatórias. 

Emma olhou para a gente e perguntou algo a Phill que eu não pude ouvir e depois foi conversar com as meninas. Ela se virava de costas e pude apreciar mais a visão. Eu estava me segurando para não beijá-la ali mesmo e apertar sua bunda. 

Yuki disse algo às meninas e se afastou por um instante. 

Emma e Midori estavam nos puxando para a quadra para dançar. Yuki voltou, bebeu de seu drink e começou a tossir e se abanar. Achei graça daquilo. Até parece que é a primeira vez que ela tá tomando uma bebida forte e esses drinks coloridos nunca têm muito álcool.  Emma foi ajudá-la e não sei o que elas conversavam.

- Vai pegar outra ruiva hoje Senhor Ray? - Phill me perguntou enquanto as meninas ajudavam Yuki com seu aparente engasgo ou seja lá o que for. 

- Tá lendo minha mente agora? - Eu ri.

- Eu sei que você tá viajando ai na Emma desde o início da semana. Já vou avisando que não devo ir para sua casa hoje. Se quiser carona para o motel, só me avisa antes de eu desaparecer. 

As meninas foram para a quadra dançar e eu e Phill ficamos próximos. Pelo visto, Yuki não sabia dançar, já a Midori estava se saindo melhor enquanto a Emma parecia estar ensinado à Yuki. Não se pode negar que Midori tinha muito charme. Ela parecia bem mais a vontade na festa e na companhia das pessoas, enquanto que sua amiga Yuki parecia completamente deslocada do mundo. 

Emma fazia os movimentos com o corpo certinhos para me empolgar. Ela parecia estar se divertindo enquanto ensinava à Yuki, mas pude notar que ela lançava um olhar para mim vez ou outra. Quer iniciar um jogo então Emma? Vamos ver quem vai ceder primeiro. Seu vestido rodava conforme ela dançava, mostrando mais e mais suas coxas. Acho que eu perderia o jogo. Eu e Phill fomos nos juntar às garotas e pude ver que ele foi propositalmente em direção à Midori. Em alguns momentos, Phill começou a se aproximar mais de Midori e eu já sabia que dali para frente eles sumiriam. Me aproximei de Emma e sussurrei em seu ouvido:

- Ei Emma, quer ficar comigo?

Ela estava com as bochechas rosadas. Espero que não estivesse bêbada demais. Ela riu e começou a dançar mais perto de mim, então o convite foi aceito. Já conseguia me ver tirando seu vestido e finalmente saciando minha curiosidade com aquele corpo definido. Enquanto eu olhava para o corpo de Emma dançando com as outras garotas, Phill e a garota japonesa sumiram e eu perdi minha chance de levar Emma para a cama naquela noite. 

Pouco depois Yuki parece ter sentido a falta da amiga. Perguntou para Emma se ela sabia sobre Midori e em seguida desapareceu em direção ao banheiro. 

Emma aproveitou a saída de Yuki e me beijou. Um beijo urgente. Uma de suas mãos segurou com firmeza meus cabelos enquanto a outra foi para minhas costas, mas próxima à cintura. Ali não era o lugar apropriado para eu avançar as coisas e eu ainda não queria perder o jogo que eu propus. Segurei sua cintura durante o beijo e senti que ela ainda dançava de leve. A música alta parecia estar desaparecendo ao longe, dando espaço somente para o que era necessário naquele momento: Emma. Foi então que ela cessou o beijo de repente. 

Ela se virou de repente e, infelizmente, vi Rich e outros colegas seus. O que merdas aquele cabeça de merda fazia aqui? Emma estava atordoada e eu entendi o motivo. Um dos amigos do Rich estava puxando-a força pelo braço e ela começou a se debater. 

- O que faz aqui Rich? Comprou uma vaga na faculdade? O que você fez? Ofereceu sua bunda?

Phill não estava aqui para me frear, o que era bom que eu iria falar tudo que estava entalado nos últimos 3 anos. O que era péssimo porque, além de eu não ter mais carona para casa, teria que me virar para ir ao hospital. Em torno de nós, mesmo com o som tocando, alguns alunos começaram a se aglomerar para ver o que acontecia.  

- Um cara não pode ser convidado pelo amigo para curtir uma boa festa, Ray? - ele disse meu nome com certo nojo e deboche - o Lucas aqui - ele abraçou um brutamontes tão grande quanto ele - é amigo de um desses nerds de matemática. Onde está aquele seu amigo seboso? Não conseguiu te acompanhar com as notas? Achei que vocês estudavam juntinhos - seus amigos riram com ele.

Rich adorava provocar nossa amizade quando tinha a chance, porém aquilo não me afetava nem ao Phill, para decepção do idiota. Ele esperava pela nossa reação sempre, mas a gente nunca ia dar esse gostinho de vitória.  

Lucas continuava tentando puxar Emma pelo braço, o que ele não tinha conseguido ainda. Aquilo me deixou com raiva. Ninguém tira uma garota de mim à força, principalmente contra a vontade dela. Ele estava tentando forçar um beijo em Emma e seu braço livre estava tentando prendê-la em um abraço nada romântico.

- Também ouvi falar que há calouras daquele colégio de freiras estariam aqui - Rich disse - sabe como eu digo que adoro foder com elas não é? A maioria ainda é virgem, então o prazer é dobrado. Só transar e largar por aí, igual a gente faz com as putas. Então Ray, seja um bom ex-colega de sala e me fala se você sabe algo sobre essas calouras. 

Emma olhou apavorada para mim. Lucas estava tentando segurar em seus peitos e ela continuava a se debater. 

Senti o álcool evaporando pelos meus poros. Olhei em volta e ainda bem que não encontrei Yuki por perto e a essa hora, Midori e Phill estavam em algum quarto de motel. 

- Vá para o inferno Rich. Nem se eu conhecesse as calouras eu te contaria. Seu cérebro de merda nem saberia diferenciar elas de seus amigos, aposto que você acordaria ao lado deles numa cama. 

Rich avançou para me bater. Enquanto eu avançava em sua direção e preparava meu braço direito para socá-lo, vi com o canto do olho Emma derrubando o tal Lucas no chão. Em seguida, ela correu em minha direção e acertou um chute na barriga de Rich. Mesmo ela tendo levantado a perna, eu estava mais admirado com o Rich sendo jogado para trás do que pela visão da calcinha de Emma. Ela então pegou meu braço e correu em direção à saída do dormitório. 

sábado, 7 de agosto de 2021

Yuki - festa

Então chegou o dia da festa. Midori estava muito mais empolgada do que eu, o que era engraçado considerando que era a minha primeira festa fora do colégio e Midori já participou de outras festas antes. Mas eu ainda sentia aquele calafrio, aquele medo das novidades ou de algo der errado. Acho que isso estava contribuindo para a minha falta de ânimo atual com a festa de integração dos calouros das biológicas com as exatas. 
- Vamos Yuki!! Me ajude a decidir qual sapato combina mais com esse vestido! - Midori me tirou dos meus receios. Ela estava tão empolgada que estava me convencendo que era só um medo bobo. Afinal de contas, é normal a gente ter medo de mudanças, e no fim das contas, aquela semana foi uma prova muito grande que mudanças, mesmo planejadas e esperadas, podem te assustar. Eu tinha medo de ficar sozinha no dormitório, eu tinha medo de não fazer amigos novos. Eu tinha medo de ficar perdida.
Felizmente Emma me mostrou que eu poderia ter amigos dentro da sala, que eu poderia começar a confiar nas outras pessoas. Os tempos livres com Midori me provaram que mesmo estando sozinha no dormitório, eu não estava solitária. E seguir os colegas de sala me ensinou que eu conseguiria aprender os caminhos certos a se seguir e evitar os errados. 
Ajudei a Midori com a escolha de sapatos e no fim das contas ela acabou trocando o vestido para combinar com um par de sapatos que ela queria usar. Ela me ajudou a me arrumar com a roupa que ela já tinha escolhido que eu usaria na festa (já que meu senso de moda não existia devido ao convívio diário com uniformes e pijamas do colégio anterior). A mãe de Midori arrumou nossos cabelos e a maquiagem. Ficamos combinadas que se Midori e eu ficássemos até muito tarde na festa, ela dormiria no dormitório comigo. Fiz uma cópia da chave e dei a ela, caso precisasse. A mãe de Midori nos levou de carro para o dormitório no campus (o que era engraçado, considerando que saímos de lá 3 horas atrás à pé), se despediu e foi embora. 
- Yuki, lembre-se  de ficar com o celular com você. Caso a gente se perca, pode me mandar mensagem ou ligar. 
-Tá bom Midori - respondi, guardando o celular no bolso - qualquer coisa você me fala também. 

Não tinha exatamente onde se perder no espaço conjunto. Era uma quadra bem grande, parecendo daquelas quadras poliesportivas. Um salão com jogo de sinuca (que eu nunca tinha visto na vida), uma mesa de algo que parecia um mini jogo de tênis (ping-pong? tênis de mesa? não lembro muito bem, algo assim), umas mesas com cadeiras em volta. Além disso, um espaço com piscina, cadeiras e uma área que parecia que tinha um forno (aparentemente para fazer churrasco).
Chegando na porta do dormitório a música já podia ser ouvida. Uma batida gostosa que dava vontade de dançar, se eu soubesse. Midori me segurou pelo braço e me arrastou para dentro da festa, super empolgada. Meu coração palpitava com as novidades. Tinha luzes coloridas dentro da sala dos jogos e na área do churrasco tinha umas mesas com comidas e bebidas. Logo encontramos alguns colegas da minha sala e da sala de Midori. A música alta atrapalhava um pouco a conversa e logo desistimos de gritar para ser ouvidos.
Emma apareceu em companhia dos garotos que eu vi no primeiro dia de aula. Ray e Phill. Os dois não vestiam roupas muito diferentes do dia-a-dia, enquanto Emma estava vestindo um vestido claro na altura dos joelhos, algumas mechas do cabelo curtinho preso em uma fita. Midori não os tinha visto ainda e percebi enquanto ela fitava Phill, o rapaz loiro com atenção. Ela ainda tinha uma queda pelos loiros, como dizia quando líamos nossas histórias quando mais novas. Phill e Ray conversavam próximos um do outro e vez ou outra falavam algo para Emma, que ria e apontava para outras pessoas na festa. 
Midori e Emma conversaram um pouco e fiquei feliz de ver que as duas pareciam se dar bem, o que "prova" que o instinto da Midori sobre Emma ser uma boa pessoa era verdade. 
Segui para a mesa onde estavam as comidas e bebidas e peguei um copo de bebida colorida que tinha um cheiro adocicado enquanto Midori, Emma, os meninos e outros colegas continuaram conversando. Voltei e tomei um gole da bebida. Ela desceu queimando minha garganta misturada com o doce e aquilo foi desagradável. Senti um calorão. Tossi muito. Emma riu de mim, tirou a bebida da minha mão e perguntou perto de mim, meio gritando:
- Yuki, é a primeira vez que você bebe bebida alcóolica?
Eu arregalei os olhos com a surpresa de saber que ali tinha álcool e fiz que sim com a cabeça, ainda tossindo. Emma me arrumou um copo com água e aquilo me ajudou. Ela e Midori me puxaram para onde os demais alunos estavam dançando, no meio da quadra.
- Vem Yuki - disse Midori segurando uma das minhas mãos. 
- Não Midori, não sei dançar.
- Eu também não! Hora de aprender!
Emma ficou junto da gente e nos ensinou um pouco a como dançar aquelas músicas. Era algo simples até. Bastava mexer conforme o ritmo. Isso é, se seu corpo respondesse ao seu cérebro, porque o meu claramente tinha entrado em dormência depois do gole daquela bebida suspeita alcóolica. 
- Yuki! Para de ficar tão dura, ninguém está te observando, se solta! - Emma gritou para eu ouvi-la. 
Aos poucos meu cérebro se recuperou da dormência e meu corpo foi se ajustando à música. Fui seguindo os passos de Emma e consegui me divertir. 
O problema foi que após alguns minutos (que eu não sei quantos se passaram), dei falta de Midori. Emma ria perto de mim e de alguns outros colegas, com as bochechas levemente coradas. Perguntei à ela sobre Midori, mas ela não sabia dizer para onde Midori foi. Fui ao banheiro para mandar mensagem. A maioria das cabines estavam ocupadas, então fiquei só próxima à pia mesmo. Mandei mensagem para ela. Nada. 5 minutos se passaram e nenhuma resposta. Mandei mensagem novamente. 10 minutos depois e resolvi ligar para ela. Nada também. 30 minutos já tinham passado sem que ela tivesse me respondido. 
Voltei para onde estava Emma e os outros e não encontrei mais ninguém conhecido. Parecia que todo mundo ali que eu conhecia tinha desaparecido. Procurei (morrendo de vergonha) por Phill e Ray, já que eles costumavam andar com a Emma durante os intervalos e nada também. Nem sinal de Midori, Emma ou qualquer outro. Eu estava solitária no meio da multidão.

Aquilo não tinha graça. Voltei para meu quarto do dormitório. Mandei uma última mensagem para Midori, dizendo que tinha ido para o quarto e caso ela quisesse dormir, era só usar a cópia da chave para entrar, que eu deixaria a cama dela arrumada (era uma cama improvisada). Arrumei sua cama, coloquei meu pijama, deitei e chorei baixinho, nem sabia exatamente o por quê.  

                                                                          *****

Acordei de manhã atordoada, com o sol na cara, passando pela fresta da janela. Midori estava dormindo com a roupa que tinha ido para a festa na cama improvisada. Não me lembro se acordei quando ela chegou. Mas ver ela ali me acalmou. Voltei a dormir. 

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Emma - primeira semana de aula

Acordei antes das 6h da manhã, como de costume. Eu não precisava de despertador nem nada do tipo, já havia acostumado com os horários desde sempre. Agora, com a faculdade, eu teria que mexer um pouco nos meus horários para conseguir aliar as aulas, estudos e os treinos. E provavelmente o estágio que eu vou conseguir com a professora. 
Cheguei na faculdade para o primeiro horário com a maioria dos colegas. Alguns faltaram. Especialmente aqueles dois bonitos que saíram da festa de ontem acompanhados com as meninas da outra faculdade. Será que eles não vieram porque ficaram a noite inteira com elas?? Ahhh meu deus, que curiosidade que eu tô!!
Coloquei meu short branco combinando com minha blusa preta. Minha muda de roupa da sorte. Tudo vai correr bem hoje!

Primeira aula: o professor não apareceu! Ahhh. Por que eles não se dão ao trabalho de nos avisar por e-mail?? Eu poderia ter praticado um pouco de corrida hoje de manhã nesse horário. 
Mas foi ótimo, encontramos uns alunos das exatas e já estamos marcando uma festa conjunta! Isso vai ser ótimo para conhecer mais gente aqui do Campus. Os garotos das exatas sugeriram de fazer na área que tem no dormitório. Aposto meu short da sorte que eles sugeriram lá para aproveitar quem tem quarto no dormitório. 

Segunda aula: bioquímica! Estou super empolgada com essa disciplina! Fiz umas aulas de reforço no colégio com alguns professores quando estava estudando para o vestibular e foi uma das matérias que mais gostei. Cheguei na sala 707 com os colegas que vieram para o primeiro horário e colocamos nossas mochilas nas cadeiras dos fundos. Foi então que vi os dois bonitões da festa. O loiro e o moreno. Qual era mesmo o nome deles? Droga, eles falaram ontem, mas não tô conseguindo lembrar.... Ahhh sim!
- Phill!! Ray!! - fui comprimenta-los - Achamos que não viriam hoje! Vocês saíram bem acompanhados da festa de ontem, estou surpresa que estão aqui antes do horário.
- Olá Emma, como vai? - Phill e Ray comprimentaram. A voz do Ray, grave e um pouco rouca, me fez tremer um pouco - Achamos que vocês também iam ficar a toa no primeiro horário.
- Eu sabia que essa semana não tinha aula de Morfologia no primeiro horário - Ray me respondeu enquanto sentava em uma cadeira - As aulas só começam semana que vem. Por isso eu e Phill viemos só para a aula de agora - como ele sabia disso??? Não recebi nenhum e-mail nem comunicado!
- Ahh, tão injusto! Como você sabia disso e a gente não? 
Ray e Phill riram de mim.
- Ei ei, estamos planejando uma festa com os calouros dos cursos das exatas - disse a eles
- Já tem data Emma? - perguntou Phill.
- Se tudo der certo, no fim da semana - respondi - Os bolsistas estão vendo se conseguem reservar o espaço conjunto do dormitório para a festa.
- O dormitório tem espaço conjunto é? - Ray perguntou
- Sim! Apesar do dormitório ser separado por sexo, tem um espaço de convivência na parte de trás. Geralmente só quem usa o dormitório pode acessar, mas acaba que fica aberto para todos os estudantes. Só para usar para festa que é mais burocrático.
- Opa, tô dentro - Phill respondeu com certa animação.
- Eu também, só avisa quando tiver a certeza Emma - Ray também respondeu.
Continuamos a conversar com os outros colegas de sala sobre faculdade, horários, aulas e outras coisas enquanto o restante dos colegas entravam e ocupavam as carteiras. Quando o horário do início da aula estava se aproximando, Ray me chamou:
- Emma, acho que aquela menina ali é do dormitório - ele me apontou uma novata branca de cabelos pretos que tinha acabado de se sentar. Eu não a reconheci da festa. Ohhhh, será que ela é a misteriosa aluna nova que veio do tal colégio famoso de freiras?
- Ótimo, depois vou perguntar se ela sabe como a gente pode fazer a festa lá no espaço - ao terminar de falar, vi alguém que supus ser nosso professor entrando em sala. Melhor voltar à carteira. 
O professor anunciou que iniciaria sua aula de bioquímica. Aula bem simples. Mas anotei tudo que podia para ter que estudar pouca coisa futuramente. Como vi boa parte disso nas aulas de reforço, acredito que só vou precisar relembrar algumas coisas. Senti algo me cutucando nas costas. Me virei para ver quem era. Era Ray com uma caneta.
- Ei, psiu. Emma. No final da aula você pode avisar à turma que não teremos Química I essa semana?
Nesse instante vi que ele olhava discretamente para meus peitos, mas não consegui esconder a surpresa com a notícia das aulas da semana.
- Como você sabe disso? - perguntei baixinho, esperando não atrapalhar ninguém na aula.
Foi aí que o Ray deu um sorriso, daqueles que a pessoa dá quando está tramando alguma armadilha. Lembrei para onde ele olhava anteriormente e fiquei sem graça. Virei para frente para não ter que ficar encarando o Ray por mais segundos que me fizessem tremer de novo. Eu tinha muitos planos para meu futuro e não queria que nenhum garoto me abalasse novamente tão cedo. 
Ao final da aula, Ray e Phill me lembraram de perguntar à novata sobre o dormitório e para dar o recado que não teríamos aula de química I na semana. 
- Oi novata! Eu sou a Emma! Qual o seu nome? Como você está? Os meninos ali de trás me falaram que você fica no dormitório, é verdade? Sabe reservar o espaço conjunto? Ah sim, antes que eu me esqueça! - fui para o centro da sala - Pessoal!! Antes que vocês saiam, não teremos aula de Química I essa semana! Portanto, horário livre! 
Dado o recado, voltei a mesa da novata. Ela me disse que seu nome era Yuki, o que não fazia nenhum sentido. Ela não era japonesa. Depois me disse que seu nome mesmo era Margô. Gostei do nome. É bonito. Mas parece que ela não gosta do nome dela. Por que será? Algum trauma. Ela não sabia muita coisa sobre o dormitório. Que menina misteriosa. Lembro que quando soubemos da novata, não conseguimos encontrar nenhum perfil em nenhuma rede social sobre ela. Nenhum nome de aprovada na faculdade. Nada nada. Essa garota é um verdadeiro mistério.
Gostaria de saber mais sobre ela, sinto uma ligação bem forte vindo por aí! Pode-se chamar de instinto. 

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Consegui organizar melhor meus horários ao longo dos dias, já que não precisei ir a toa na faculdade em alguns horários. 
Uma coisa que notei é que Phill e Ray costumam observar bastante todas as meninas da sala. Especialmente o Ray me observa um pouco mais do que eu gostaria. Espero que ele não queira nada sério comigo. Pode ser só impressão minha também. Mas se eu for me envolver com qualquer garoto por agora, que seja totalmente sem compromisso e sem cobrança. Quero ter tempo para fazer meus treinos e estudar e fazer meu estágio na área que eu gosto. Ainda não me sinto preparada para entrar de cabeça em um novo relacionamento. 
Percebi também que a menina-Margô-Yuki sempre estava muito solitária. Será que ela tem dificuldade para fazer amigos? Ou será que é muito tímida? Volta e meia eu a via perdida nos corredores do prédio, mesmo nossa turma andando junta, ou pelo menos em grupos. Mesmo observando que ela seguia alguns grupos, ela estava sempre longe. Nunca se enturmava. Almoçava sozinha na maioria das vezes. Isso é muito estranho. Não vou deixar essa menina perdida assim sozinha.
Descobri que após algumas aulas, Yuki costumava a ir na biblioteca. Aposto que estudar junto com ela vai ser uma boa oportunidade de conhecê-la melhor e fazê-la se enturmar mais. Senão como ela vai fazer quando tiver trabalhos em grupo? Ou quando a gente for fazer qualquer confraternização? Nós temos dois anos para aproveitar junto da turma! 
Sempre que Yuki estava na biblioteca, me aproximava dela para conversar. No início foi difícil, ela parecia assustada como um gato abandonado. Até sexta ela já mantinha uma conversa comigo! 

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Yuki era uma garota engraçada. Ela disse que não sabia como a faculdade funcionava, tive que explicar para ela. Parece que o colégio dela não prepara as alunas para o vestibular convencional ou para a maioria das faculdades. 
E ela era bem paciente. Eu podia falar com toda minha empolgação que ela parecia admirar meu jeito. Fora meus colegas do treino, a galera da minha escola sempre me achava muito criança ou chata para conversar. Nunca liguei de verdade, sou assim e não vou mudar só porque alguns acham que eu devo. 
Yuki era muito fofa também. Sempre que ela fica sem graça ou com vergonha, ela fica vermelha igual um pimentão. Dá vontade de provoca-la só para ver seu rosto mudando de branco para vermelho toda hora. Inclusive, vez ou outra eu brincava de leve com ela para ver suas reações. Ao sair da biblioteca na sexta, ela me fez algumas perguntas a respeito da sala. Hora de sondar (e divertir um pouco)
- Ah, isso explica porque eu parecia estar fora de sintonia com os outros da sala - ela concluiu quando expliquei que todos os calouros da turma se conheciam antes por causa do grupo e das festas que fizemos antes do início das aulas - E os dois garotos que você estava conversando no primeiro dia? Conheceu eles no colégio? - Ela perguntou. 
Ahh, então está interessada em um dos garotos Yuki? Vamos descobrir isso. 
- Quem, o Ray e o Phill? Não, conheci eles nos grupos e nas festas. Bonitões, não? - ela ficou vermelha. Aposto que ela tá querendo ficar com um dos dois. Senão não teria perguntado - O Ray consegue as informações do submundo, ele sempre sabe quando a gente não vai ter aula. Tenho certeza que ele tem um X9.

- O que é isso? - Yuki perguntou.

Olhei para ela, incrédula. Como assim "o que é isso?" Ela nunca ouviu isso??

- Você não sabe o que essa expressão significa? - Perguntei. 

Yuki ficou corada novamente. Então ela não fica vermelha só quando sente vergonha. Ela também fica vermelha quando percebe que não sabe algo que parece óbvio para os outros. Ela não gosta de demonstrar que não sabe do que estão falando. 

- É um delator. Quem entrega os outros - lembrei de algo que não gostaria ter lembrado - quem vaza as informações para outro alguém. Não é legal você ser um X9 - percebi que minha expressão deve ter mudado com a lembrança, pois notei que Yuki pareceu um pouco assustada - Mas o Ray tem alguém que passa informações para ele sobre aulas e afins. Ainda vou descobrir como ele faz isso - completei.

O bom é que na mesma velocidade que eu lembrava de algo desagradável, eu esquecia. 

- Talvez ele tenha acesso às informações - Yuki disse.

- Mas como? Ele é aluno como a gente, tem os mesmos acessos que nós. 

Yuki deu de ombros. Resolvi arriscar uma pergunta perigosa:

- Ei Yuki, por que você se chama Margô? Por que você não gosta do seu nome? Ele é tão bonito!

- Foram as irmãs que me deram esse nome em homenagem à irmã que me encontrou quando eu era bebê - ela respondeu, bem séria- Mas eu não tenho boas lembranças dessa irmã. De todas, ela era a mais cruel comigo. 

Yuki fechou os olhos. Claramente essa não era a história toda. Mas já tinha perguntado algo que eu sabia que talvez ela não respondesse. Vou aceitar essa resposta até que ela tenha confiança de me contar mais.

- Então espero que você conheça uma Margô tão legal que te faça gostar do seu nome - sorri para ela. 

Acompanhei Yuki até próximo ao dormitório. De lá, iria direto para meu treino. Felizmente a academia era próximo, então dava para ir correndo. Assim já chegaria aquecida. Resolvi fazer uma pergunta mais leve agora para ela.

- Ei ei Yuki. Tá achando algum dos garotos da sala bonito? Vai ficar com algum deles na festa?

Yuki ficou vermelha. Isso era divertido. 

- Err, não sei. Você diz conversar?

Conversar???? Em que planeta Yuki tem vivido todos esses 18 anos? Será que ela entendeu errado minha pergunta? Ou será que..... Ela não sabe nada de relacionamentos, beijos, sexo e etc?

- É, tipo isso - ri um pouco da inocência dela. Talvez a festa poderia ser um pouco demais para ela se ela não sabe nem o que é ficar. 

Me despedi dela e me preparei para minha corrida antes do meu treino