quarta-feira, 14 de julho de 2021

Yuki - antes das aulas começarem

As aulas da faculdade já começam amanhã... Nossa, fazia tanto tempo que não me empolgava com um início de ano letivo. Será que vou ter que me apresentar na frente de todo mundo? Será que essas meias realmente vão tampar toda minha perna? Será que essa blusa branca não vai ficar muito transparente? 
São tantas perguntas que rodeiam minha mente.... Esses 18 anos presa dentro desse internato me fizeram ter uma visão tão, sei lá, fraca a respeito do mundo lá de fora. Não tem nada para fazer nesse colégio. É uma construção muito grande, fria, sem acesso aos computadores, livros ou qualquer coisa do meio exterior. Ok, temos livros na biblioteca, mas nenhum deles é interessante o suficiente que valha a pena a leitura. Só não sou uma completa ET porque algumas vezes nós, internas, fazemos umas excursões com as Irmãs para compra de comida, produtos de limpeza, higiene e roupas. 
Meu maior contato com o exterior é com a Midori, minha única amiga desse colégio de freiras. Ela é de uma família tradicional japonesa, não sei porque os pais resolveram colocar ela aqui. Aliás, foi ela quem me deu o apelido de Yuki. Ela dizia que não conseguia pronunciar o meu nome e como eu sou "muito branca", de acordo com ela, então eu sou a Yuki, que é neve. 
Enfim, Midori voltava para a casa dos pais nos feriados, o que me deixava com muito tempo para fazer absolutamente nada. A sorte é que ela sempre trazia novidades com ela a cada saída e encontro com a família. Ela me trouxe um celular smartphone de uma das suas irmãs mais velhas, assim podíamos continuar conversando quando ela estivesse de férias e longe do colégio. Ela trazia mangás para ler. Com Midori que eu aprendi que no Japão, diferente daqui, as histórias são publicadas voltadas para um público específico (crianças, meninas, meninos, mulheres e homens). Aqui as histórias são classificadas em ficção, fantasia, romance.... 
Alguns mangás eram tão velhos que as páginas estavam amareladas e descolando. Eu e Midori gostávamos de ler juntas as histórias que ela trazia, mesmo que a gente tivesse lido 10 vezes sem nunca saber como termina. 
A gente ficava se derretendo pelos personagens bidimensionais daqueles mangás. Midori ficava brincando comigo porque meus personagens favoritos sempre eram os mais misteriosos ou os altos de cabelos e olhos pretos. E os mais gentis. Ela gostava mais dos que eram "mais espertos", os populares e os loiros. Ela sempre dizia "de cabelos pretos já basta eu e toda minha família Yuki. Japoneses não sabem chegar em nenhuma garota". Eu nunca entendi o que ela queria dizer com isso.

Ah, mas você deve estar se perguntando "Mas Yuki, qual o problema de você começar o novo ano letivo e porque é diferente?"
Bom, porque.... Como posso dizer. A faculdade ofereceu uma bolsa de estudos para as internas com as melhores notas. E eu fui uma das alunas. O que é ótimo, porque finalmente poderei viver um pouco longe dessas irmãs. Vou poder ter um quarto com banheiro e cozinha no dormitório na faculdade só meu, sem dividir com outras 10 meninas, sendo 8 que não vão com minha cara. O lado ruim é que a Midori não vai fazer as mesmas matérias que eu, então não vou poder encontrá-la na mesma sala de aula.  Mas ainda nos encontraremos nos feriados e no período após as aulas. E posso recebê-la no meu quarto!! Estou bem empolgada quanto a isso. 

Como a vaga para a faculdade foi bem repentina, estou terminando de fazer minha mala (quem mora a vida inteira no colégio de freiras não tem muito o que guardar, até porque nem temos exatamente um armário para chamar de "meu") e amanhã cedo que vou para a faculdade, com mala e tudo. A madre superiora quem irá me levar e já avisou para eu ir com o uniforme de uma vez, para não atrasar. Como se eu fosse perder a oportunidade de usar o uniforme bonitinho ao invés de usar esse nosso sem graça. O novo uniforme até lembra um pouco os uniformes que eu tanto vi nos mangás shoujo que a Midori sempre trás para a gente ler. 

Bom, minha nova vida começa amanhã. Será que finalmente vou conhecer alguém interessante? Talvez um garoto alto de cabelos pretos, com quem vou poder conversar? Ou quem sabe tenha na minha sala algum menino loiro, assim Midori poderia gostar de alguém também...
Bom, amanhã eu descubro 

sábado, 30 de janeiro de 2021

Infância x Vida adulta

Peter Pan, um garoto que não quis crescer. Leva Wendy, João e Miguel para a Terra do Nunca, onde há sereias, índios e piratas, como o vilão Capitão Gancho. A única coisa que Gancho teme é o crocodilo que comeu sua mão e engoliu um relógio, que faz um ruidoso "Tic Tac Tic Tac" de dentro da fera. Alice persegue um coelho branco de colete vermelho e relógio até cair num buraco e entrar no País das Maravilhas, onde há um gato que desaparece, um Chapeleiro Louco, uma Lebre Maluca, ratos guerreiros. Uma rainha louca que manda e desmanda e adora ver uma cabeça rolar. Pedro, Lúcia, Edmundo, Susana, Eustáquio e Jill, por meio de magia vão para Nárnia, onde há um bondoso Leão e inúmeros vilões e aventuras. Mas, o que essas 3 histórias, tão diferentes fazem reunidas? O que elas têm em comum? Eu me pergunto todo dia "Por que Wendy, Alice e Lúcia voltaram? Por que não ficaram no mundo maravilhoso diante delas e voltaram para a vida que levavam?" São todas crianças. Não queriam adentrar no universo confuso e tortuoso que é o mundo dos adultos. O Crocodilo corria atrás do Gancho, não atrás do menino que não crescia. Lá estava o tempo correndo atrás do adulto, algo que Peter Pan jamais seria. Lá estavam as obrigações perseguindo o pobre adulto, materializada para sempre em um crocodilo. Quem sabe, Gancho não é apenas Peter Pan crescido, mas inconformado? O Coelho Branco sempre dizendo "Estou atrasado, estou atrasado. Está na hora, está na hora." Empurrando para a pobre Alice o início do desespero do mundo que a esperava, o mundo que ela não podia escapar. A difícil batalha contra uma bruxa má. A fuga do navio pirata. A confusão dos tamanhos de Alice. Um chá infinito, animais falantes, sereias. Tudo faz parte da infância. Todas as aventuras infantis, que nos fizeram desejar nunca crescer, como Peter Pan, nunca sair do mundo, como Lúcia, de enfrentar o mundo adulto com inocência, como Alice. O mundo adulto é real e chato. Não tem aventuras, não tem magia nem fantasia. Tudo tem hora, tudo é sério. Os sentimentos atrapalham tudo. Você tem que enganá-los para que não ocorra o contrário. Se eu fosse Lúcia, nunca teria saído de Nárnia e entrado novamente no Guarda-roupa. Se fosse Wendy, não voltaria ao meu quarto para crescer. Se fosse Alice, não teria voltado à chata lição com livros sem figuras. Eu teria ficado e lutado por reinos, brincado com os meninos perdidos e tomado chá para sempre. O Chapeleiro quer que eu fique no País das Maravilhas. Peter Pan não quer que eu saia da Terra do Nunca. Eu não quero sair de Nárnia, nem de Wonderland nem de Neverland. São a minha casa. Mas o Coelho Branco, o Crocodilo e o Leão me puxam com mais força. Acordo de um sonho estranho, no meu quarto, a porta do guarda-roupa aberta. Não! Eu quero voltar! Mas agora é tarde. Eu cresci. E um adulto não é bem vindo ao mundo infantil. Ele não tem tempo, vive cansado e trabalhando. Mas é só fechar os olhos que eles estão lá. O Chapeleiro Louco sorri ao me ver e me oferece uma xícara de chá. Sininho joga um pouco do seu pó em mim e eu levanto do chão. Os anões e centauros querem me contar o que aconteceu. As cartas já pintaram as rosas de vermelho, o Capitão Gancho continua a perseguir Peter Pan. O Gato sorri e desaparece. Pronto, a realidade se torna menos chata.

sábado, 19 de setembro de 2015

Você foi embora

Até outro dia você estava aqui. Me abraçava, me consolava. Porém você se foi. Para sempre. Eu achei que com o tempo, essa dor, essa saudade, iria ficar menos pior, porque não tem como melhorar.
Mas não foi assim que aconteceu.

Até hoje há ainda a mancha de café nas xícaras que você usava. Algumas coisas nunca foram mexidas desde então. Outras foram organizadas, mas mesmo assim ainda me lembro de como as coisas ficavam antes. O seu cheiro ainda está naquele roupão que você usou na última vez que fez frio.

A casa ficou mais fria desde sua partida. Desde então, me sinto solitária. A casa parece que aumenta cada dia mais, esfria cada vez mais.

Ás vezes olho as fotos em que você aparece sorrindo. Me dói o coração saber que nunca mais poderei ver novamente esse sorriso. Que nunca mais poderei te ver. As fotos até parecem se mexer, as pessoas mexendo como quando minutos antes da foto ser tirada. As fotos que não parecem se mexer mais foram dos momentos que não estão muito claros na minha memória. Deve ser assim mesmo, As fotos param de se mexer quando aqueles momentos já estão esquecidos. Já tentei esconder todas as fotos, mas parece que piora. Olhar para elas me faz chorar, mas não tê-las ali me faz chorar ainda mais.

Algumas lembranças boas me fazem chorar. Lembrar de nossas brigas me faz sentir mal. Eram motivos tão bobos, por que perdi tempo com isso? Não consigo deixar de me sentir culpada.

O que mais me dói, além disso tudo, é que sempre que eu me lembro de você, primeiro vem à minha mente as últimas vezes que eu te vi, e essa não era a imagem que eu gostaria de ter. Só depois vem as outras.

Desde então, eu que sempre tive medo, passei a ter mais medo das coisas. Medo de ficar só, medo de perder as outras pessoas que eu amo...

Eu tenho tentado seguir em frente, mas cada dia fica mais difícil. A impressão que eu tenho tido, é que quanto mais eu tento seguir em frente, mais meu interior desmorona. Minha cabeça começa a inventar coisas, fazendo com que eu ache que as pessoas que eu amo têm feito coisas que elas não têm feito, que meus amigos digam coisas de mim e que estão se afastando. Será que eu estou tão destruída por dentro assim?

Às vezes eu não tenho vontade de levantar da cama, e não é um simples "quero dormir mais" é um "Não quero ver nada no mundo, não há nada de bom que me espere", ou então um "estou totalmente sem esperanças". Acho que a expressão "estar totalmente quebrada por dentro" me definiria no momento. Até mesmo pensamentos bem piores já tive, mas até o medo de fazer qualquer um deles me impediu.

Eu prometi que não teria esses pensamentos novamente, mas não é tão fácil assim cumprir minha palavra. Gostaria de me sair melhor nisso, mas não estou conseguindo. Começo a chorar do nada ultimamente.

Já até senti arrependimento por você ter me conhecido. Quem sabe teria tido um final diferente? Mas até mesmo esse pensamento me machuca, apesar da incerteza do meu futuro. Não sei se vou me tornar quem eu gostaria, não sei se isso vai fazer as pessoas ao meu redor felizes, e o mais importante, não sei se isso vai me fazer feliz. Não sei se serei capaz do que eu quero fazer ainda, não sei se vou conseguir ultrapassar esses obstáculos.

Os pedaços do meu coração tentam se unir todos os dias, mas até hoje ele não está curado. Não sei se ele ficará algum dia, e espero não desistir por completo até esse dia chegar.








sábado, 15 de agosto de 2015

Do que você tem medo?

Do que você tem medo?

Tenho medo de falhar. Medo de ser derrotada e não conseguir mais me levantar.

Medo da pessoa que eu tanto amo um dia deixe de me amar e que ela vá embora.

Medo de não conseguir realizar meus sonhos.

Medo de decepcionar as pessoas, e que elas nunca mais confiem em mim.

Medo de que as pessoas que eu amo percam a confiança em mim.

Tenho medo também de pesadelos, mas aqueles pesadelos que trazem meus maiores medos à tona.

Tenho medo de ser esquecida.

Tenho medo de ficar sozinha. Sem ninguém em quem eu possa confiar, em quem eu possa contar, sem ninguém ao meu lado.

Tenho medo de não conseguir superar as dificuldades.

Medo de as dificuldades serem maiores que minhas forças.

Tenho medo de ser abandonada pelas pessoas que eu mais amo.

Medo de não conseguir ter um emprego que eu goste.

Tenho medo da morte.

Tenho medo de perder meus pais.

Tenho medo de perder meu irmão.

Tenho medo de perder minha irmã.

Medo de perder meu namorado, minha namorada.

Tenho medo de perder todas as pessoas que eu gosto.

Tenho medo do futuro.

Tenho medo da solidão e do que ela pode fazer comigo.

Tenho medo de me perder. Para sempre.

Tenho medo do que um pensamento errado pode fazer na minha cabeça.

Tenho medo dos meus pesadelos se tornarem realidade.


Tenho medo do medo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sentimentos

Não! Você não sabe de nada... Você sequer estava ali para saber nem mesmo viu alguma coisa... Você não nasceu como um monstro para saber como é!...

Você não sabe. Você não entendeu o medo que ela enfrentou para estar ali! Como pode falar assim dela?

Suas mãos... Sua voz... trêmulas...frias...seu rosto pálido...o medo... Mas... mesmo assim ela não fugiu de mim. Ela jamais me deixou sozinho. Ela nem sequer largou minha mão.

Ela sabia que se soltasse minha mão... Eu... Eu nunca mais voltaria. Se ela soltasse minha mão... Eu abandonaria todos pra nunca mais voltar. não quero dizer que estou curado. Não é que ela tenha curado todas as minhas feridas. Há muitas dores que ainda sinto. Mas o mais importante... Aquilo que tem mais valor para mim... É ela estar comigo. E saber que ela sempre estará ao meu lado.

Fica feliz por qualquer besteira. Quase tudo a faz sorrir. Um sorriso verdadeiro e sincero, sempre. Mas por quê? Por que não pensa mais em si mesma? Por quê? Não acha que isso é desvantagem? Não vê que ser assim é uma tolice?

Eu te amo! Te amo! Assim, desse jeito. Eu amo você.

Desde quando... ouvir meu nome se tornou algo tão especial? Apenas quando você o chamava? Se for para ver você sorrir... Eu faria de tudo ao meu alcance. Desde quando... comecei a pensar em idiotices como essa? Desde quando? Quando comecei a te amar assim? Desse jeito que não tem mais volta? Quando?

Eu te amo. Não quero mais te roubar nada. Não quero mais pisar em ninguém. Nunca mais, lá no fundo, eu... já desejei que você ficasse para sempre ao meu lado.

Desejo guardar para sempre todas as lembranças... ao mesmo tempo tenho vontade de banir tudo da minha memória.