quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Investigações

Dito isso, Bruna se virou e foi andando até o fim do corredor. Peter observa ela se afastar e em seguida vai até a sala do diretor. Lá, há dois homens vestidos de terno, com expressões sérias, porém cansativas. Um tem os cabelos cortados bem curtos e o outro tem um cabelo um pouco mais longo.
-Você é Peter, certo? – perguntou o de cabelos curtos – nós dois somos do departamento de polícia de Wetherby. Temos algumas perguntas para você. Você está ciente que Débora faleceu ontem num acidente no hospital?
-Sim – respondeu Peter, olhando para os dois – por acaso eu sou suspeito de algo?
-Não, não se preocupe. Temos absoluta certeza que foi um acidente.
-O celular dela foi encontrado nos destroços do elevador. Nós checamos e descobrimos que a ultima pessoa com quem ela conversou foi você. – disse o outro homem.
-Ah sim. Ela me ligou. No meu intervalo de almoço.
-E ela estava no telhado? – perguntou o de cabelos curtos.
-Sim, estava. É onde tem sinal melhor.
-E ela entrou no elevador?
-Sim.
-Qual foi a causa do acidente? – perguntou Peter, ansioso.
-Isso está sendo investigado. Mas temos certeza que os cabos que seguravam o elevador se soltaram. Isso ocasionou a queda do mesmo. O elevado atingiu o chão com tanta força que o teto começou a ceder. O prédio é muito antigo e passou por várias modificações ao longo do tempo.
Peter lembrou-se de quando ele e Débora almoçaram juntos e ela falou para eles tomarem cuidado, pois havia incidentes estranhos acontecendo.
-Eu tinha falado com o irmão dela logo depois do acidente. Mas...
Peter lembra-se do ocorrido e fala com eles.
Ele chega perto do irmão de Débora, perguntando como ela está.
-Do que você está falando? – pergunta ele, revoltado – como vou saber como minha irmã está?
-Mas... – começa Peter.
-Olha aqui – começa o irmão dela – não encha a cabeça de minha irmã com baboseiras.  Isso me incomoda. Ela é um pouco...
Mas ele não chegou a terminar a frase. Virou-se e foi embora.

-Bem, então isso é tudo. – disse um dos dois homens – você pode ir agora.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

1980

Aula de artes. Peter está com um lápis nas mãos, mas não consegue se concentrar em desenhar o busto que está a sua frente. Ele está encucado, porque Miki desapareceu novamente.
-Ah, por que a Júlia tirou o dia de folga? – lamenta Gabriel – ela não parecia tão bem hoje. Ei, Peter, você acha que a professora Júlia está com alguma doença muito grave?
-Não, tenho certeza que ela está bem. – responde.
-Ah, você deve estar certo.  – responde Gabriel, voltando a se concentrar em seu desenho.
-Mas por que você está tão preocupado? – pergunta Peter.
-Depois do ocorrido com a Laura, e ontem, o que aconteceu com Débora, a irmã do João, eu apenas...
Peter se aproxima de Gabriel.
-As mortes delas estão relacionadas? Supondo que se acontecesse algo com a professora Júlia, haveria algum tipo de relação?
-Er, bem, sobre isso... – começa a gaguejar Gabriel.
Peter deu um suspiro. Ele afasta seu papel em branco e se levanta. Basta. Ele está escondendo alguma coisa. Ele sai andando em direção à porta.
-Peter, onde você está indo? – pergunta Gabriel.
-Vou investigar uma coisa.
Peter vai até a biblioteca auxiliar. Ela continua com o mesmo aspecto de antes. Ela continua pouco iluminada, com as luzes apagadas. A pouca luz vem das janelas, que agora estão fechadas. Porém, a luz é suficiente para que ele consiga achar o livro que procurava e olhar o que esperava.
Ele põe o livro que contém o anuário de 1980 em cima de uma das mesas da pequena biblioteca. Ele senta na cadeira e abre o livro. A primeira foto é uma foto da escola. A segunda página tem várias fotos das aulas de educação física, e outras fotos do ano. Do lado, na 3ª página, tem uma foto da equipe de professores. Na próxima página, há uma foto da turma A. Ele observa um pouco.
-É mesmo. Eu não vou encontrar o nome de Yuki no livro. Antes de ele ser terminado, ela morreu.
Ele passa a página e olha as fotos da turma B. Ele encontra sua mãe. Ela era muito mais nova, é lógico, mas dava para reconhecê-la.
-Mãe... – ele acaba falando um pouco alto.
-Está vendo sua mãe? – perguntou uma voz. Era Luis – eu já o vi aqui antes. Quer dizer que o estudante transferido está matando aula na minha biblioteca? – perguntou ele, abrindo um sorriso amigável.
-Agora estou tendo uma aula que já tinha feito no meu antigo colégio. Então vim investigar algo. Minha mãe se graduou aqui em 1980. – disse Peter.
-Em qual turma sua mãe estudou?
-Minha mãe estudou na turma B.
Luis se aproximou do livro.
-Qual das alunas é sua mãe?
Peter aponta para uma garota com uma franja longa repartida ao meio.
-Sua mãe é Bárbara? – perguntou Luis.
-Conheceu minha mãe? – perguntou Peter sobressaltado com as palavras de Luis.
-Ah, sim. Mas diga-me. Fiquei sabendo que ela morreu. Quando exatamente ela morreu? – perguntou ele, virando-se para a janela e olhando para o lado de fora.
-Ah 15 anos atrás, pouco depois de eu nascer.
-Ah, entendo. Então foi assim...
A porta da biblioteca se abriu. Bruna estava parada na porta, com uma expressão bem séria. Peter estava com a cabeça baixa e não notou.
-Peter – chamou bruna.
Ele levantou a cabeça e avistou-a. Ele saiu de seu lugar e foi até Bruna.
-O professor pediu para você se dirigir à sala do diretor.
-Muito obrigado.
Ela se vira para ir embora, mas volta a olhar para ele.

-Permita-me pedir desculpas a você com antecedência. Perdoe todos nós. É pelo nosso bem. Peço que nos perdoe.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Improvável

Ao fundo da sala, Bruna, Miguel, e outros alunos estão conversando. Bruna olha com uma cara de desprezo para a direção onde Peter e Miki estão, e Miguel está com um sorriso sem graça no rosto.

Não pode ser, pensa Peter. Eles estão olhando para cá enquanto conversam. Será que aos olhos deles, eu estou falando sozinho, sem ninguém ao meu lado? Pensa, olhando para os colegas e pensando em Miki.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O dia seguinte

Peter tenta dormir, mas tudo que ele consegue e rolar na cama por um longo tempo. Quando ele consegue tirar um cochilo, várias imagens e palavras vêm a sua cabeça. As palavras de Débora ao telefone, uma senhora segurando um quadro de uma pessoa que ele não consegue reconhecer, as palavras “funeral”, “morte”, “maldição”, Laura olhando assustada para ele e Miki, e depois morta em cima de sua sombrinha...
Ele finalmente acorda, sem ter descansado um pouco e sem tirar de sua mente a morte de Débora.
No dia 4 de junho, a morte da irmã de João, Débora, causa um choque a todos. O silêncio engloba toda a turma, e a respiração de todos param no mesmo instante.
-Se trabalharmos todos juntos, conseguiremos superar essa tragédia – diz o professor Tetsuo.
Miki abre a porta da sala e entra. Ela fecha a porta. Ninguém sequer vira o rosto para saber quem chegou, nem olham para ela. Ela caminha até sua velha carteira, se senta. Peter acompanha cada movimento dela. Enquanto isso observa a falta de reação de seus colegas quanto à chegada de Miki. Ninguém vira o rosto para ela, pensa ele, como se Miki Yuki não estivesse nessa turma. Em outras palavras, ela não existe. Miki encosta a cabeça em suas mãos e olha para fora da sala.
No intervalo, Peter vai falar com ela.
-Você soube sobre o que aconteceu com a irmã de João?
Miki olhou para ele com uma expressão interrogativa no rosto.
-Ela morreu ontem.
Miki se espantou com a notícia. Ela virou o rosto novamente para fora da sala.
-Entendo. Foi doença?
-Não, foi um acidente.

-Compreendo – diz ela, abaixando a cabeça.

sábado, 31 de agosto de 2013

Isso não deveria acontecer (II)

Você acorda cedo achando que está atrasado. Ao chegar na aula, descobre que é sábado.

Você compra aquele computador supermegaultrapower bom, depois de juntar o dinheiro por muito tempo. No mês seguinte, sai um melhor pelo mesmo preço.

Seu ônibus entra de greve no dia de prova.

Você fala algo constrangedor quando todos calam a boca na sala de aula.

Aparece aquela espinha no meio da testa um dia antes da festa.

Você precisa do computador com urgência e ele resolve atualizar os trocentos programas.

Você compra alguma coisa. Depois descobre que nas 4 lojas ao lado tem o mesmo produto, pela metade do preço.

Você põe a blusa branca, cai geleia de morango ou molho de tomate.

Você perde o lápis. Encontra-o horas depois atrás da orelha.

Vai a algum lugar para comprar uma coisa importante. Ao chegar em casa descobre que comprou de tudo que te pediram, menos a tal coisa importante

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A morte

A área onde o elevador despencou foi isolada para averiguações. Há várias pessoas cuidando de cada detalhe. Várias fotos foram tiradas para que possa ser chegada a uma conclusão do porque que o elevador caiu. O que restou do corpo de Débora foi retirado do local. Seu celular foi recolhido, na esperança de fornecer algo de importante. Há uma enfermeira no local, falando um pouco sobre Débora. Ela diz que ela e Peter tinham gosto literário em comum. Peter vai até o hospital à noite, e não consegue acreditar no que seus olhos lhe mostram. Ele volta para casa, muito triste.  Ele conta o caso à sua avó.
-Débora não era aquela enfermeira nova que cuidou de você no mês de abril?
-Sim. Estou preocupado com o irmão dela. Ele estuda na minha turma.
-Oh, que tragédia. Uma colega de classe morreu faz pouco tempo, não é? – pergunta sua vó.
-Um funeral deve ser feito quando uma pessoa morre – diz seu avô, dentro de um quarto – depois da morte sempre haverá um funeral. Estou cansado de funerais.